O racionamento de energia, aliado à preocupação com a nova ameaça de abertura da CPI para investigar corrupção e com o impacto, inconveniente ao governo, das manifestações em favor da cassação de Antonio Carlos Magalhães, roubaram a atenção do Palácio do Planalto e da cúpula tucana na Convenção Nacional do PSDB, que começou ontem, em Brasília.
Depois do almoço, o alto tucanato – em que se incluem o atual presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), líderes da legenda e alguns membros da atual executiva nacional – seguiu para uma visita ao presidente Fernando Henrique no Palácio da Alvorada. Lá, a conversa principal foi reservada, entre o presidente e os líderes tucanos, e pouco teve a ver com a convenção nacional, exceto no que se refere à preocupação com os efeitos negativos das manifestações pró-cassação de ACM e sobre uma nova CPI para investigar corrupção.
A avaliação de um dos tucanos presentes ao encontro do Alvorada é a de que a CPI está por um fio e, por isto mesmo, toda a cautela é pouca. Apesar do nervosismo do governo e da nota da Executiva Nacional do PSDB contra o fechamento de questão em favor da cassação dos dois parlamentares envolvidos na fraude do painel do Senado, não terá jeito. Além da moção do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), pedindo a cassação de ACM e do senador José Roberto Arruda (sem partido-DF), a juventude do PSDB promete fazer muito barulho em defesa da ética na convenção.
‘‘A convenção que homenageia o governador Mário Covas como exemplo de ética na política não pode deixar de ter uma posição clara pela cassação de ACM e Arruda’’, defende o presidente nacional da juventude tucana, Adolfo Konder. Uma prova de que valeu pouco todo o empenho do presidente da sigla, do secretário-geral, deputado Márcio Fortes (RJ), e do líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), para evitar o assunto e a provocação aos baianos aliados de ACM a dar o troco, assinando o requerimento em favor da CPI.
O presidente Fernando Henrique participa hoje da convenção, que o elegerá presidente de honra do partido. A direção atual do PSDB é formada, basicamente, por parlamentares mas, para facilitar as composições e contemplar os interesses de presidenciáveis em disputas internas, como o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), e o ministro da Saúde, José Serra, a nova executiva terá cinco vice-presidentes.

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