Rachas e indefinições marcam a disputa pelo governo do Paraná
Enquanto sucessor de Ratinho e candidatura de Moro são incógnitas, Requião Filho se consolida na corrida
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Enquanto sucessor de Ratinho e candidatura de Moro são incógnitas, Requião Filho se consolida na corrida

Curitiba - A pouco mais de oito meses para as eleições de outubro, o cenário para a disputa pelo governo do Paraná segue indefinido. Por enquanto, a única candidatura ao Palácio Iguaçu que parece consolidada é a do deputado estadual Requião Filho (PDT), que já conquistou o apoio do PT. O governador Ratinho Junior (PSD) ainda não bateu o martelo sobre seu candidato e o senador Sergio Moro (União), mesmo à frente nas pesquisas, segue na luta para obter apoios fora de seu partido.
A indefinição de Ratinho Junior vem gerando especulações sobre um racha interno no PSD. O governador teria preferência pela candidatura do secretário das Cidades, Guto Silva, mas dois adversários de peso disputam a vaga: o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, hoje secretário do Desenvolvimento Sustentável. Nos bastidores, integrantes do PSD dizem que Greca dificilmente será o escolhido, pois enfrenta resistências dentro do partido, o que pode levar o ex-prefeito a buscar outra legenda.
Publicamente, os líderes do PSD tentam minimizar o desgaste. “Eu posso garantir que a paz política dentro do nosso grupo vai continuar”, disse Alexandre Curi. “Internamente, a gente tem conversado muito. Não temos pressa para ter essa definição. Quem está apostando nessa ruptura vai errar, porque o PSD vai apresentar bons nomes para o governo do Estado, para o Senado e para presidente. O governador tem falado que não tem nenhuma pressa para tomar essa decisão.”
Para o presidente da Assembleia, o candidato de Ratinho Junior entrará naturalmente com força na disputa, pois haveria um sentimento pela “continuidade” no Estado. “Viajo muito pelo interior do Estado e o sentimento dos paranaenses é de continuidade da gestão, da paz política, de pacificação entre os Poderes. Uma candidatura a governador não pode ser um projeto pessoal, é um projeto coletivo. O governador vai tomar a decisão pelo candidato que tem mais condições de vencer e de dar continuidade à gestão”, disse. “O PSD tem grandes nomes e isso é um problema, mas é bom de ter grandes nomes para apresentar.”
Enquanto Alexandre Curi contemporiza, Guto Silva deixa claro que pretende disputar o governo. Em entrevista à Rádio Jovem Pan na terça-feira (10), o secretário disse não considerar outra possibilidade. “Não estou considerando nenhuma possibilidade de ser vice, de ser senador. Estou focado num plano de governo, de suceder o governador Ratinho Junior”. Durante a entrevista, ele soltou uma frase que teria acirrado ainda mais os ânimos dentro do PSD. “Vice é igual sogra, muitas vezes você não escolhe. Você escolhe a esposa, a sogra vem no pacote”, afirmou o secretário.
Outro líder do PSD no Estado, o deputado Luiz Cláudio Romanelli é outro que diz acreditar em um rápido crescimento do nome escolhido pelo governador. “Cada um dos candidatos tem um ponto positivo para ser analisado. Na medida que a gente consiga definir o candidato, ele vai crescer muito rápido nas pesquisas de opinião. Até porque o governo tem mais de 80% de aprovação e a gente sabe que isso resulta em prestígio para o candidato.”
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Fator PP
Mesmo na liderança em todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas até agora, Sergio Moro ainda não conseguiu apresentar uma candidatura sólida. Entre as grandes cidade do Estado, só tem o apoio da prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, também do União Brasil. O partido negocia a formação de uma Federação nacional com o PP e Moro enfrenta resistências dentro da legenda no Paraná – segundo o líder do Progressistas no Estado, o deputado federal Ricardo Barros, a candidatura do ex-juiz da Lava Jato foi rejeitada por unanimidade.
“Ele sabe que não será candidato se não conquistar o apoio dos progressistas. Ele vai procurar conquistar o apoio dos progressistas ou vai procurar outro partido”, definiu Ricardo Barros na semana passada. “Nos últimos oito meses (a negociação) não evoluiu nada. Nossa decisão foi por unanimidade. Estamos falando de oito deputados federais, quatorze deputados federais, outras lideranças importantes. Se ele (Moro) pretender caminhar nessa direção, precisa remar bastante.”
Para o líder do PP, o ex-juiz não demonstra interesse em atrair apoios. “Faltou interesse dele em conquistar apoio. Ele fez conversas protocolares. A cabeça do Sergio Moro é assim: ‘ganhei a eleição do Senado contra o Bolsonaro, contra o Ratinho, sem prefeitos, sem deputados, então eu não preciso dessas pessoas’. Ele não está, de fato, empenhado em atrair as pessoas. Ele senta, conversa, mas não converte ninguém.”
Moro já teria sido convidado pelo Republicanos e pelo PL do ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o governo. Nesta semana, o senador emitiu uma nota para negar qualquer possibilidade de transferência. "O senador Sergio Moro permanece no União Brasil, partido que garantiu sua candidatura ao governo do Paraná nas eleições de 2026. As divergências com PP serão resolvidas com diálogo", informou a nota.
A candidatura de Moro também tem pouca adesão entre os deputados estaduais. Na Assembleia, só dois parlamentares de seu partido já declararam apoio: Tito Barrichello e Mauro Moraes. Pelo menos 40 deverão apoiar o candidato do governo. Barichello faz uma aposta alta: diz que o senador vai disputar o segundo turno com Requião Filho, deixando para trás o candidato de Ratinho Junior. “Eu acredito em uma polarização com o candidato do PDT. Uma polarização entre esquerda e direita, Sergio Moro e Requião Filho.”
Fator Greca
Um nome que pode desequilibrar a disputa é o de Rafael Greca. O ex-prefeito não esconde o desejo de ser governador e pode mudar de partido caso não seja o escolhido por Ratinho Junior. Em 2016, antes de migrar para o PSD, foi eleito prefeito de Curitiba pelo pequeno PMN. Fora do PSD, poderia ganhar uma fatia dos votos que seria dada ao candidato do governador.
Um dos destinos pode ser o PP de Ricardo Barros, que não descarta uma candidatura própria. “Há muitas conversas com o Rafael Greca. Na minha opinião, ele vai concorrer em qualquer hipótese, pelo partido que for. Ele ganhou a prefeitura pelo PMN, não está querendo grandes condições favoráveis para concorrer”, disse Barros. “Ele tem voto na capital. Se olharmos historicamente, desde o Alvaro Dias, todos os governadores são ex-prefeitos, à exceção do Ratinho Junior.” A ex-governadora Cida Borghetti e o ex-prefeito de Londrina Marcelo Belinati também são cotados para a candidatura do PP, afirmou o deputado.
Outro nome que pode embaralhar o jogo é o do ex-governador e ex-senador Alvaro Dias, que recentemente trocou o Podemos pelo MDB. Ele aparece em segundo lugar nos três cenários estimados pelo instituto Paraná Pesquisas em seu mais recente levantamento, divulgado no fim de janeiro. Moro lidera nas três situações, à frente de Dias e de Requião Filho, em terceiro em dois cenários. Com Rafael Greca na disputa, o ex-prefeito de Curitiba aparece em terceiro, à frente de Requião Filho. Os números mostram que Alvaro Dias entraria com força, mas tudo indica que ele vai embaralhar outro tabuleiro, o da disputa pelas duas vagas no Senado.
DISPUTA PELO SENADO
A eleição para o Senado é outro terreno com poucas definições. A deputada federal e ministra Gleisi Hoffmann (PT) e o deputado federal Filipe Barros (PL) já têm suas candidatura garantidas. Candidata à Prefeitura de Curitiba em 2022, Cristina Graeml deverá concorrer pelo União. Outros nomes cotados são os de Alvaro Dias, pelo MDB; o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, pelo Novo; e o deputado federal Pedro Lupion, que trocou o PP pelo Republicanos no ano passado.
A indefinição de Ratinho Junior também afeta a candidatura do PSD a senador. Caso não consiga consolidar a candidatura à Presidência, sua eleição para o Senado é dada como certa. Por outro lado, se disputar a Presidência pelo PSD, será difícil para o governador convencer os nomes de peso da legenda, como Guto Silva e Rafael Greca, a tentarem uma vaga no Senado.


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.





