AjudaO presidente de honra do partido, Lula, ao lado de José Dirceu: ‘‘O PT precisa pensar na sua imagem’’José Dirceu deve ser reeleito amanhã presidente do PT, mas a vantagem que tende a obter sobre seu adversário, Milton Temer, não será suficiente para evitar a constatação de que o partido continua dividido entre alas com concepções totalmente diferentes. Dirceu é o candidato das alas de ‘‘centro’’ e ‘‘direita’’ do espectro político petista. Temer é o representante dos grupos organizados da ‘‘esquerda’’ do PT. O atual presidente do partido contou, na reta final da disputa, com a valiosa ajuda de Luiz Inácio Lula da Silva, seu companheiro na tendência centrista ‘‘Articulação’’.
A estratégia de Temer era forçar Lula a anunciar a candidatura à Presidência da República durante a convenção. Capitalizaria, assim, o desejo majoritário no partido. Dirceu, que assim como Lula quer esticar o prazo de definição para pelo menos até dezembro, foi atendido por Lula quando o líder começou a acenar, em entrevistas e conversas com delegados, que poderia aceitar a empreitada. A devoção petista a Lula pôde ser atestada na noite de ontem, na solenidade oficial de abertura da convenção do partido. Recebido aos gritos de ‘‘Brasil urgente, Lula presidente’’, Lula fez um discurso emocionado pedindo a unidade do PT. ‘‘Temos divergências entre nós, não ódio’’, afirmou Lula. ‘‘O PT precisa pensar na sua imagem’’.
Em todos os pronunciamentos que fez desde que chegou ao Rio, Lula tem insistido em usar a expressão ‘‘pacto de unidade’’. É o que ele espera da convenção, além, é claro, da vitória de Dirceu. Não será fácil, já que a indefinição de Lula sobre sua candidatura está abrindo espaço para uma nova etapa da luta interna. Lula quer esperar até o final do ano para ver se Fernando Henrique Cardoso sofre algum desgaste, o que aumentaria sua chance de evitar uma terceira derrota em eleição presidencial. ‘‘Muita coisa pode mudar e os conflitos de Fernando Henrique vão aumentar com os vários palanques que ele está montando nos Estados’’, avalia Lula. É a aposta que o excesso de apoios prometidos por FHC para candidatos a governador regionais acabará causando problemas ao tucano.
No PT, se Lula não for o candidato, abre-se o campo para o imponderável. A proposta de prévia para escolher um nome apavora a cúpula, que teme fraturas insolúveis se o partido tiver que optar por alguém, já que até Tarso Genro está longe da unanimidade. A prévia é defendida, entre outros, pelo governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, e setores da ‘‘esquerda’’ da legenda.

mockup