São Paulo - O rabino Israel Lau, presidente do Memorial do Holocausto Yad Vashen e sobrevivente dos campos de concentração, pediu publicamente ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promova um encontro do israelense com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O iraniano é conhecido por questionar o Holocausto e defender a destruição de Israel.
O rabino Lau foi libertado do campo de concentração em 1945, quando tinha oito anos. Ele foi grão-rabino de Israel entre 1993 e 2003, preside o memorial de Yad Vashem desde 2008, e mantém suas funções de grão-rabino de Tel Aviv. ''É como filho de Buchenwald (campo de concentração na Alemanha) que quero reunir-me com ele para que escute meu testemunho e poder demonstrar-lhe que está errado quando nega a existência do holocausto'', disse o rabino sobre seu interesse em se encontrar com Ahmadinejad.
Ele pediu ao presidente brasileiro, que está em visita ao Oriente Médio, que transmita ao seu colega iraniano um convite para que se reúnam ''não importa onde e não importa quando''.
Lula, que realizou uma visita oficial a Israel, a primeira de um chefe de Estado brasileiro, visitou ontem o Yad Vashem, dedicado à memória dos seis milhões de judeus mortos durante a Segunda Guerra (1939-1945).
Durante a visita, Lula declarou que conhecer o local era ''quase obrigatório'' para qualquer chefe de Estado do mundo. ''Eu acredito que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória a todo ser humano que quer governar uma nação'', disse o presidente na saída do local.
Depois da visita ao museu, o presidente brasileiro participou do plantio de uma árvore no bosque de Jerusalém. O próximo passo de sua agenda é um encontro com representantes das sociedades civis israelense e palestina.
Contra Israel
Já a ONG palestina ''Stop the Wall'' (Pare o Muro) pediu a Lula que corte as relações comerciais e militares com Israel, alegando que isso legitima o apoio brasileiro à ocupação israelense. A organização não-governamental critica ainda o TLC (Tratado de Livre Comércio) assinado entre o Mercosul e Israel. A ONG, que busca chamar atenção sobre as consequências do muro de separação construído por Israel na Cisjordânia, elaborou um documento em que expõe dados sobre as relações bilaterais econômicas e militares entre Brasil e Israel.

mockup