Curitiba - O senador Alvaro Dias (PSDB/PR) convocou ontem a imprensa para falar sobre a aposentadoria que passou a receber no final do ano passado em função do mandato de governador do Paraná, que exerceu entre 1987 e 1991. O tucano disse que só requisitou o benefício dado aos ex-governadores do Estado porque resolveu colocar em prática um plano que já articulava desde 2007, o de usar o dinheiro para doar a entidades de assistência social. A declaração foi dada ao fim de uma semana na qual a aposentadoria de ex-governadores de Estado em todo o País se tornou alvo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que anunciou que pretende questionar o benefício no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de requisitar a aposentadoria mensal em outubro de 2010, Alvaro também pediu um ''retroativo'' dos últimos cinco anos, conforme a FOLHA mostrou na quarta-feira. Embora ele tenha deixado o cargo em 1991, a legislação só permitiria a recuperação agora de no máximo cinco anos de retroativo, e não os quase 20 anos. Alvaro afirma que nunca fez uso eleitoral em torno do fato de ter aberto mão da aposentadoria durante os quase 20 anos e reclama da repercussão que o assunto ganhou agora: ''Quando eu era exceção, eu não era notícia. Agora que eu sou a regra, sou notícia.''
O pedido de retroativo, contudo, ainda está sendo analisado pela Procuradoria-Geral do Estado, mas, extraoficialmente, corre que o valor total poderia chegar a R$ 1,6 milhão. Mas o dinheiro, reforça ele, iria para a caridade. ''Eu não queria dar publicidade a isto, mas fui obrigado.'' Na tentativa de comprovar que requisitou o benefício para destinar à assistência social, sem fazer divulgação do fato, Alvaro mostrou aos jornalistas o que seriam os comprovantes de duas doações: uma feita em 30 de novembro de 2010 à entidade Santa Bertila Boscardin e outra em 17 de janeiro de 2011, para a mesma entidade.
''Desde 2007 venho amadurecendo a ideia de utilizar esses recursos na ação social. Confidenciei a algumas pessoas e recebi por escrito apelo de duas instituições beneméritas de Curitiba, que gostariam de ser contempladas (Lar O Bom Caminho e Pequeno Cotolengo). Adiei o projeto em razão da antecipação do processo eleitoral. Encerradas as eleições retomei a ideia e requeri. Não pretendia fazer propaganda dessa iniciativa, mas houve quem se encarregasse disso'', afirmou ele.
No final do ano passado, Alvaro chegou a declarar que estava ''pagando para trabalhar'' ao justificar o pedido de aposentadoria feito naquela época, ocasião em que ele não mencionou seu outro pedido, relativo ao retroativo de cinco anos. Questionado ontem pela Reportagem sobre o antigo argumento, Alvaro ressaltou que não queria dar publicidade ao uso real do dinheiro e afirmou que tem sim tranquilidade financeira, embora tenha aberto mão da verba indenizatória e do auxílio moradia oferecidos pelo Senado. ''Não faço política pensando em ganhar dinheiro. Ganharia mais se eu estivesse fora da política. Os que ganham muito na política não ganham honestamente'', disse ele.

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