''Quis moralizar a baderna''
Anexada como prova no processo do Ministério Público Eleitoral, a cópia de um cheque no valor de R$ 2.850 e datado do dia 2 de outubro de 2000 - um dia após o primeiro turno das eleições -, constante do inquérito instaurado pela Polícia Federal (PF), foi uma das bases da denúncia apresentada pela defesa do comerciante Valdir Cogorni, do Parque Ouro Branco (Zona Sul).
Conforme o depoimento de Cogorni à PF, o rapaz conhecido por Val, e que trabalharia na campanha de Bonilha, teria procurado o comerciante propondo comissão de 10% para troca do cheque.
Ontem, por telefone, o comerciante confirmou ter recebido o cheque ''depois da eleição, para pagar cabo eleitoral''. Indagado sobre a motivação para ofertar a denúncia, Cogorni resumiu: ''Ninguém me convenceu a nada, sou comerciante e faço o que der na minha cabeça. Acho que era hora de moralizar as eleições, porque, ultimamemte, só tá tendo (sic) baderna''. Sobre o suposto ''complô'' do qual Bonilha diz ser vítima, o comerciante riu. ''Vítima? Se ele fosse, o juiz não tinha dado causa ganha para a gente.''
Em entrevista, Bonilha disse desconhecer o episódio do cheque, bem como de pessoas que teriam ganho R$ 20 em carne, segundo o processo, em troca de voto. ''Não respondo por cheques de outras pessoas. Criaram uma situação e me envolveram nela'', afirmou. O cheque, do antigo Banestado, é assinado por Jorge Proença, irmão do vereador e coordenador da campanha dele em 2000.
O presidente da Comissão de Ética da Câmara, Roberto Kanashiro (PSDB), afirmou que qualquer análise do caso, no grupo, depende de encaminhamento da Presidência. ''O presidente pode acolher algum encaminhamento de vereador, ou de cidadão, e, se der provimento, nos repassa para análise'', disse o tucano. ''Só depois de sermos notificados pela Justiça é que isso será estudado com a Procuradoria Jurídica da Casa'', resumiu o presidente, Sidney de Souza (PTB). (J.G.)





