Rosa Costa
Agência Estado
De Brasília
Avesso a contatos políticos nos sete anos em que ocupou a Advocacia-geral da União, o recém-nomeado ministro da Defesa, Geraldo Quintão, esteve ontem no Congresso para pedir apoio aos presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Pela manhã, Quintão conversou por quase uma hora com ACM. À tarde, esteve 30 minutos com Temer. Ele disse que o motivo das visitas era convidar os parlamentares para sua posse, na tarde da próxima segunda-feira. ‘‘Existem políticos partidários e políticos não partidários’’, justificou Quintão.
‘‘Fazer política é saber se relacionar e isso eu sei.’’ Sobre o fato de não ter prestado serviço militar, alegou: ‘‘Eu era estudante interno. Não podia servir o Exército.’’ O ministro da Defesa disse que a sua expectativa no relacionamento com os militares, tida por ele como ‘‘um novo desafio’’, é a melhor possível. ‘‘Não sei fazer outra coisa a não ser ter desafios, felizmente superáveis’’, informou. Na sua avaliação, os militares ‘‘estão unidos, são patriotas, disciplinados e favoráveis à consolidação do Ministério da Defesa’’.
Sobre assuntos próprios da pasta, como a criação da Agência de Aviação Civil, ele disse que só falará depois de empossado. Segundo ele, o parecer da Advocacia-geral da União, publicado no Diário Oficial de ontem, confirma a legalidade jurídica na venda de 20% das ações da Embraer. O ministro disse que não existe o risco de empresas estrangeiras passarem a controlar a empresa. O ministro lembrou que, mesmo após a privatização, o limite de participação do capital da Embraer em poder de empresas estrangeiras não pode ser superior a 40%. Segundo disse, os grupos nacionais Bozzano Simonsen, Previ e Listel detêm ‘‘60 e poucos por cento das ações da empresa’’.
Geraldo Quintão rebateu a iniciativa do Ministério Público Federal de processá-lo e a outras autoridades que utilizarem aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para visitar seus Estados de origem. Ele disse que sempre utilizou os jatinhos da FAB a serviço, questionando o fato de o Ministério Público só ter passado a investigar o fato depois de noticiado na imprensa. Segundo ele, ‘‘estão buscando a exibição e isso não condiz com a majestade do Ministério Público’’.

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