Quinta-feira, meio-dia: deputado e padre, Roque vai rezar a missa
Arquivo FolhaPadre Roque: para ele, a missa semanal, assistida por 50 pessoas, é uma necessidadeO deputado federal Roque Zimermann (PT), o padre Roque, 58 anos, cumpre toda quinta-feira, ao meio-dia,em Brasília, o mesmo ritual. Ele reza missa no anexo 4, prédio da Câmara dos Deputados. Sinto tanta falta da missa como de comida. É uma necessidade, assume. Ele revela que um dos mais assíduos frequentadores é o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Mas tem deputados e senadores de todos os partidos. São momentos gratificantes porque primeiro celebro e depois faço um debate sobre o Brasil, explica. Além da cerimônia em Brasília, que reúne em média 50 pessoas, padre Roque aproveita o final de semana para rezar missa onde estiver.
Para ele, política e fé são as duas pernas que mantêm o corpo perfeito. Enquanto uma está firme no chão, a outra está em busca do Além, mas são absolutamente complementares. Sem a política, eu me sentiria como um saci-pererê, brinca. Nunca pensei que esse casamento fosse tão bom e tão gratificante, completa.
O padre-deputado admite, porém, que nem ele escapa das famosas propostas indecentes feitas por lobbistas e políticos. Têm coisas do arco da velha, assume, sem revelar o teor. Nesses casos, a resposta negativa não vem acompanhada de um sermão, como se poderia esperar de um padre. A réplica é bondosa e não chega a ser agressiva. Respondo que quero poder me olhar no espelho e nos olhos da pessoas, relata. Segundo ele, as reações geralmente são de vergonha, mas houve uma vez em que o interlocutor mandou que ele fosse pastar.
Mas Roque Zimermann faz questão de ressaltar que existem políticos e políticos. Não me decepciono, porque fui professor de teoria política na Universidade e sabia muito bem o que iria encontrar. Só me apavoro quando estou diante de uma negociata e não posso fazer nada. Apesar disso, ele garante que uma de suas maiores realizações é conseguir manter a coerência entre fé e política. (P.Z.)





