O presidente do Tribunal de Contas (TC), Quiélse Crisóstomo da Silva, respondeu com aspereza às declarações do presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB). Anteontem, o deputado afirmou ser preciso ‘‘repensar o papel’’ dos TCs e criticou a autonomia do tribunal paranaense. ‘‘Se o presidente da Assembléia conseguir modificar a Constituição Federal, como dá a entender, vou parabenizá-lo pela façanha. Mas, por enquanto, exijo que ele respeite o que está escrito na Constituição, para que não venha a ter problemas conosco’’, ameaçou Quiélse, por meio da assesoria de imprensa do TC.
Na quarta-feira, Justus declarou a alguns dos jornalistas que fazem a cobertura do Legislativo que ‘‘o TC tem que ser um órgão auxiliar da Assembléia’’ e que estariam acontecendo algumas ‘‘distorções’’ na atuação do tribunal. O presidente do Legislativo também comentou que o assunto deveria ser ‘‘muito bem discutido’’ e poderia ser incluído na reforma da Constituição do Paraná, em andamento na Assembléia.
‘‘Não temos a menor preocupação em ser mais ou menos autônomos em relação à Assembléia. Ser auxiliar de político é orgulho, mas ser auxiliar de politiqueiro é uma preocupação. Política é a arte de bem administrar o dinheiro público e por isso respeito os políticos; já os politiqueiros, não’’, rebateu o presidente do TC.
Crises entre os deputados estaduais e o TC têm sido comuns no Paraná. Mas somente depois da morte do deputado Aníbal Khury, há um ano, é que o TC se fortaleceu. Como presidente do Legislativo, Aníbal sempre intermediava as pendengas entre os palamentares e os conselheiros do tribunal. Ontem a Folha tentou entrevistar Justus novamente, mas ele estava viajando pelo interior do Estado, e não foi encontrado.
Quiélse também criticou os deputados estaduais pela aprovação da prestação de contas da Paranacidade, na sessão de terça-feira. ‘‘Nem mesmo a mensagem enviada pelo governador Jaime Lerner aos deputados pedindo que fosse ouvido o tribunal foi respeitada. Depois, o deputado vem aos jornais dizer que a independência do TC preocupa os políticos; na verdade, preocupa os politiqueiros’’, salientou o presidente do TC.
Os conselheiros Rafael Iatauro e Nestor Baptista (que também é corregedor) também opinaram. Iatauro, afirma a assessoria, ‘‘manifestou sua descrença’’ nas declarações de Justus ao papel do TC. ‘‘É recomendável que leia as Constituições e o texto que está sendo proposto como emenda, onde o TC ganha inclusive mais força até mesmo para decidir.’’
‘‘O TC continuará com sua autonomia, queira ou não o presidente da Assembléia, que com certeza, embora seja um homem bem informado, não tem conhecimento da proposta de mudança que está sendo encaminhada pelo governo federal’’, comentou Baptista.

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