O movimento grevista dos servidores municipais de Londrina entra hoje no quarto dia consecutivo de paralisação sem nenhum avanço nas negociações de reposição salarial de 21%, índice que conforme o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), se refere às perdas acumuladas entre 2001, 2002 e 2004.
Rumores que circulam nos bastidores dos dois lados da greve sindicato e administração municipal apontam interesses políticos como um dos entraves para a negociação.
Nos corredores da Prefeitura, dias antes de deflagrada a greve, já eram comuns comentários sobre supostas ligações da atual diretoria do sindicato com o grupo político do ex-prefeito Antonio Belinati (PSL), que disputou o segundo turno das eleições de 2004 com Nedson Micheleti (PT). ''A nossa chapa, que venceu a eleição sindical, é composta por pessoas de várias origens partidárias. O que as pessoas estão tentanto usar é que um ou outro membro (da chapa) é ligado ao Belinati. Sabemos disso, mas qual a justificativa que estão usando? Eu fui candidato a vereador pelo PT, em 1996. As pessoas sempre tentam desviar o foco'', disse o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja. ''Não existe esse negócio de grupo de Belinati, essa é conversa de quem quer desviar o foco de discussão. O foco é reposição salarial, que foi uma promessa do prefeito Nedson ano passado quando foi elaborada a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), de que teríamos reposição salarial e voltou atrás porque ele quer usar o dinheiro para outras coisas'', complementou.
''A greve é uma questão política, mas é uma questão política deles, não nossa, somos servidores. A única política que tem é a do prefeito que está preocupado com as eleições de 2006. A prefeitura aponta índice zero de negociação mas promete gastar R$ 6 milhões em propaganda. Isso é política'', afirmou Urbaneja, se referindo ao processo licitatório aberto pela prefeitura no final de fevereiro, que prevê o gasto de até R$ 5,7 milhões em publicidade de atos da administração direta e indireta para os anos de 2005 e 2006.
A Folha tentou entrar em contato com o prefeito Nedson Micheleti (PT), que retornou ontem de Brasília, por meio do Núcleo de Comunicação da prefeitura, mas ele não retornou as ligações. O secretário de Gestão Pública, Jacks Dias, que também preside o diretório municipal do PT, também não foi localizado pela reportagem.

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