Questão ética é fundamental para 10% do eleitorado brasileiro
São Paulo - Caso se dedique a ler os estudos sobre o comportamento do eleitor brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá três boas notícias: 1 - os eleitores mais pobres são os que mais votam pensando no próprio bolso; 2 - são eles que mais tendem a transformar avaliação positiva do governo em voto para o candidato da situação; 3 - é este segmento que menos avalia o governante com base em princípios morais; ele prefere se pautar por critérios mais pragmáticos.
São tendências favoráveis para quem tem programas focalizados na base da pirâmide social e gostaria de deixar em segundo plano a discussão ética. Nas últimas pesquisas, Lula obteve os melhores índices de aprovação entre os mais pobres e menos escolarizados. ''O eleitor é um cínico, no sentido de só se preocupar com seu benefício individual'', define Marcus Figueiredo, do Iuperj. ''Isso acontece tanto no Brasil quanto em outros países.''
Para Rachel Meneguello, da Unicamp, no governo Lula houve ganhos concretos para as faixas menos privilegiadas da população e isso pode se refletir em votos pela reeleição. São esses segmentos que mais levam em conta o desempenho do atual governo na hora de votar.
A pesquisadora explica que é a própria condição precária de vida que leva os eleitores das camadas mais pobres a dar peso para os benefícios individuais que seu voto pode proporcionar. ''Eles se vêem obrigados a ser mais pragmáticos.''
Na questão ética, os princípios morais são importantes na decisão do voto de um grupo restrito algo como 10% do eleitorado brasileiro, mais sofisticado na percepção da política, segundo Figueiredo. Os demais tendem a tolerar comportamentos antiéticos, o que não quer dizer que sejam indiferentes às irregularidades. ''Eles consideram que a corrupção reduz os benefícios que o governo poderia lhes propiciar. A roubalheira é vista como uma espécie de 'desconto' nos ganhos que esperam'', acredita o pesquisador do Iuperj. Nisso, afirma Figueiredo, o brasileiro não é diferente dos povos de outros países. (R.S./A.E.)





