Uma campanha ''mais política que eleitoral'', por parte deles, e, pelos adversários que registram pontos nas pesquisas eleitorais, ''de cartas marcadas, em um par ou ímpar (em) que (o resultado) já foi escolhido''. As comparações foram feitas ontem em Londrina pelo candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB) à Presidência da República, Ivan Pinheiro, que esteve na cidade em campanha junto com o nome da sigla ao governo do Estado, Amadeu Felipe. Com correligionários, participaram de entrevistas no Aeroporto José Richa e seguiram para o Calçadão da Avenida Paraná (Centro), onde despertaram a curiosidade de eleitores mais acostumados às poucas barracas de material de campanha dos ditos candidatos tradicionais do atual pleito.
Carioca de 64 anos, Pinheiro milita no PCB desde 1976, depois de ter passado pelos movimentos estudantil, secundarista e sindical. Atuou também no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), grupo da esquerda brasileira que atuou, por meio de combate armado, ao regime militar brasileiro com a finalidade de instalar, no Brasil, um Estado socialista.
Se em um sistema pluripartidário como o da atual democracia brasileira - ainda que sem bandeiras ideológicas definidas - é possível, hoje, a implantação desse sistema socialista defendido pelo PCB? ''O sucesso da implantação depende da nossa capacidade de explicar ao povo o que é o socialismo e de mobilizá-lo. Esse é um processo, não tem data, e nós podemos perder também'', disse, para completar: ''Não vim aqui em Londrina fazer demagogia: essa eleição é um jogo de cartas marcadas, esse par ou ímpar já foi escolhido - todas as nossas propostas, se desse a zebra de ganharmos, seriam bombardeadas pela grande mídia, pelo Congresso, pelos conservadores. Por isso, queremos uma chance é de mobilizar o povo brasileiro e ver se ele se convence do que é bom. Por exemplo, será que é difícil convencer o cidadão de que se a Petrobras for 100% estatal, e não 32%, e se 100% do lucro fosse aplicado para resolver os problemas da saúde, ele (cidadão) não iria para as ruas?'', questiona.
Sobre a atuação da esquerda na atual campanha, Pinheiro lamentou haver o que chama de divisão entre a ''esquerda reformista, que acredita que pode ir melhorando o Capitalismo'', e a ''esquerda revolucionária, na qual estamos''. ''Acreditamos na revolução, mas não na armada: é a revolução no sentido de se acreditar que as mudanças não podem ser apenas maquiagens, mas mudanças profundas, de raiz. Podíamos eleger muitos deputados pelo Brasil desde que abríssemos mão de nossas ideias e fizéssemss coligações com partidos grandes, como a esquerda reformista faz e elege seus parlamentares. Mas não somos pautados pelo que dá voto - tanto que sou carioca e sou contra os royalties do pré-sal ficarem todos no Rio: tem que distribuir a todos os estados, e inversamente ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada um. Não abrimos mão das nossas opiniões.''

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