Querem sentar na minha cadeira sem voto, diz Dilma sobre Temer
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de abril de 2016
João Pedro Pitombo<br>Folhapress 
Salvador - A presidente Dilma Rousseff (PT) voltou a criticar, ontem em Salvador, o processo de impeachment em curso e disse que se trata de golpe e que é "uma tentativa de eleição indireta". "Eles querem sentar na minha cadeira sem voto. Isso é muito confortável. Você não tem que prestar conta para o povo brasileiro. Não tem que explicar o que vão fazer os programas sociais", afirmou.
Segundo Dilma, o programa proposto pelo possível novo governo do vice-presidente Michel Temer (PMDB) deverá reduzir programas sociais com o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
"O programa deles começa com uma coisa muito grave porque fala em revistar os programas sociais. Revistar é diminuir a quantidade de dinheiro que o governo federal coloca em programas como o Minha Casa, Minha Vida", disse. Falando para um público de militantes e beneficiários do programa habitacional, a presidente afirmou que é "vítima de uma grande injustiça", pois ela não cometeu crime de responsabilidade.
Ainda criticou os opositores, afirmando que "quem propõe um golpe, pode praticar qualquer ato". E defendeu a luta contra o golpe, mas com paz e tolerância.
"Não somos violentos. Violentos são aqueles que estão contra nós e fazem toda sorte de provocação. Nós queremos a paz, nós não hostilizamos as pessoas porque elas são diferentes de nós", disse.
Com o processo de impeachment a ser votado em comissão no Senado, a presidente foi recepcionada por um movimento batizado "Mulheres Baianas pela Democracia" que organizou um "abraçaço" de solidariedade a Dilma.
Dilma recebeu flores e foi cumprimentada por mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), além de deputadas e secretárias estaduais da Bahia.
Nas mãos, cartazes com frases como "Dilma não está só" e adesivos com os dizeres "Brasil contra o golpe" e "mais direitos, mais democracia". Juntas, as mulheres gritaram "Dilma, guerreira, da pátria brasileira".
Em discurso, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), classificou como "vergonhosa" a votação da Câmara que aprovou a abertura do processo e chamou de "traíras" os que votaram pelo abastamento da presidente.
CARGOS E VERBAS
A presidente Dilma Rousseff recebeu ontem representantes de movimentos sociais que lideram a manifestação contra o impeachment e ouviu pedidos para que aproveitasse os últimos dias antes da votação do processo no Senado para fazer acenos em direção à base que a reelegeu. Um dos pedidos é a nomeação de integrantes dos movimentos para preencher vagas deixadas por partidos que abandonaram o governo para apoiar o impeachment e entregaram seus cargos no governo. Participaram da reunião com Dilma João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
Segundo relatos, os representantes dos movimentos sugeriram que Dilma tomasse uma série de ações que teriam como objetivo garantir a unidade das entidades na reta final da resistência ao impeachment e na oposição a um eventual governo Michel Temer. Entre elas, reajustar o valor do Bolsa Família, retirar projetos enviados ao Congresso que afetam direitos dos trabalhadores, anunciar uma série de desapropriações agrárias e retomar as contratações de empreendimentos do Minha Casa Minha Vida. Segundo participantes da reunião, Dilma ouviu com atenção e ficou de avaliar os pleitos. (Com Agência Estado)


