O ex-governador paulista Orestes Quércia propôs ao presidente da Câmara, Michel Temer, que a ala governista do PMDB aceite fazer a convenção nacional no dia 8 de março e vote naquela data, preliminarmente, se o partido terá ou não candidatura própria à Presidência.
Quércia é um dos líderes peemedebistas contra a adesão ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Temer é expoente do setor palaciano do partido. Os governistas marcaram convenção para o dia 8 de fevereiro, para destituir o atual presidente do PMDB, Paes de Andrade (CE), que é a favor da candidatura própria à Presidência. Paes chamou outra convenção, para 8 de março.
Quércia acha que não se deve discutir a direção partidária antes de definir a questão da candidatura própria. Acha, até, que Paes não tem razão para ficar se prevalecer a tese da adesão a FHC. ‘‘É a única maneira de conciliar o PMDB’’, disse. Temer ficou de levar a proposta para análise de seu grupo, mas não mostrou entusiasmo pela idéia.
Embora diga que aceitará qualquer resultado da convenção, Quércia tem um objetivo ao investir na proposta de definição primeiro do sim ou não à candidatura própria: o ex-governador acha que os governistas priorizam a saída de Paes da direção para uma negociação melhor com o governo.
No raciocínio do quercismo, que não é revelado publicamente, o PMDB adesista não quer chancelar imediatamente a aliança com o PSDB para exigir mais cargos e garantias em eventual novo governo de FHC. Além de tentar ganhar mais um mês para reverter a tendência favorável à coligação com FHC, Quércia acha que, mesmo que o grupo de Temer vença a convenção, ficará exposto a desgaste por evidenciar que o objetivo maior seria mesmo negociar nomeações e vantagens no governo. A candidatura de Quércia ao governo paulista será lançada em ato público programado para o dia 8 de fevereiro, em São Paulo.

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