Maringá - A Arquidiocese de Maringá apresentou ontem uma Cartilha Política para orientar os eleitores nas próximas eleições municipais. A intenção da Igreja Católica é ajudar as pessoas a votarem de forma consciente e evitar a prática da compra de votos. Todo material foi elaborado pelos bispos e arcebispos do Paraná, que pretendem divulgar a cartilha também outras regiões do País. Além de eleitores, dezenas de políticos e candidatos participaram do evento.
Para o arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti, a discussão sobre o voto é muito importante, porque é um exercício de cidadania e os próximos eleitos vão ter influência sobre a vida das pessoas. ''É preciso que os eleitores desenvolvam critérios de escolha. Tanto quem vende, como quem compra o voto estão praticando um crime e incentivando a corrupção'', observa.
A cartilha também quer incentivar a criação de comitês que recebam denúncias contra candidatos infratores. O arcebispo lembrou que graças à Lei Federal 9840/99, de iniciativa popular, cerca de 600 políticos já perderam seus mandatos em todo Brasil e outros mil estão respondendo processos por crimes eleitorais.
Dom Anuar ainda colocou em discussão a criação de outra lei de iniciativa popular para impedir a candidatura de políticos já condenados em primeira instância. Essa lei já está tramitando no Congresso e na opinião do arcebispo a sua entrada em vigor seria um grande passo no processo democrático.
Sobre a participação de padres em partidos políticos ou na disputa a cargos públicos, o arcebispo enfatizou que essa prática foi proibida pela Igreja. ''Dentro da Arquidiocese não temos nenhum caso, mas o padre que for candidato tem de se afastar de suas funções com antecedência'', completou.
Marino Galvão, assessor jurídico e político da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), também esteve presente na apresentação da cartilha. Ele participou da elaboração do documento e destacou que a política precisa passar por uma reconstrução. ''Os eleitores precisam mudar seu modo de pensar e realmente participar do processo'', frisou.
Segundo ele, a Igreja quer incentivar as pessoas a votar com cidadania e também se preparar para esse momento, conhecendo o candidato e participando do processo. Outro ponto enfatizado por Galvão foi o fato de a Cartilha não falar de partidos ou candidatos de forma específica. O objetivo é mostrar à população que seu voto terá consequências futuras.
O assessor acredita que a Cartilha será de grande ajuda aos eleitores, porque poderão formar grupos de discussão sobre a eleição. O documento também tem um calendário completo sobre eleições até o dia da posse dos eleitos.

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