'Quem vai apontar o culpado é a Justiça'
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terça-feira, 26 de agosto de 2008
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Em versões conflitantes, o deputado federal e candidato a prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT) e o seu advogado, Marcos Kaimen, relataram, durante entrevista coletiva convocada ontem pela manhã, detalhes da prisão do ex-assessor Luciano Ribeiro Lopes.
Kaimen foi o primeiro a chegar ao comitê do candidato, anunciando que falaria em nome do deputado porque este não estava a par de todos os detalhes.
Segundo o advogado, Lopes vinha exigindo uma quantia entre R$ 200 mil e R$ 300 mil para parar de divulgar informações que prejudicariam a campanha de Barbosa Neto. No final de junho, o ex-assessor teria repassado ao jornal Correio Braziliense, de Brasília, notícias de atos ilegais supostamente praticados pelo parlamentar, como apropriação de salários de funcionários, enriquecimento ilícito e administração irregular frente à Rádio Brasil Sul.
De acordo com Kaimen, as reportagens foram reproduzidas em material apócrifo distribuído via Correios, em correspondência sem remetente postada em Curitiba, para escolas e agências de táxi de Londrina.
Investigações apontaram, ainda conforme o advogado, que o material estava sendo reproduzido em uma copiadora de Londrina por um colaborador da campanha do também candidato a prefeito Luiz Carlos Hauly (PSDB). ''Este rapaz foi notificado judicialmente, inclusive, dentro do escritório onde funciona o comitê do Hauly'', afirmou.
''Não satisfeito, o Luciano passou a extorquir o Barbosa'', prosseguiu Kaimen. O fato foi denunciado ao Gaeco, que passou a monitorar o ex-assessor. Segundo o advogado, o flagrante levado a cabo ontem teria ocorrido em uma via pública da Zona Sul, sem a participação de Barbosa Neto.
Entretanto, o próprio candidato declarou, na sequência, que foi ele mesmo quem entregou os R$ 23 mil a Lopes. Não em via pública, mas na casa do deputado federal Alex Canziani (PTB), em um condomínio fechado. ''Quero inclusive pedir desculpas a ele (Canziani), publicamente, por ter exposto a ele e sua família. Foi pelo bem da cidade e da nossa candidatura, que está em crescimento muito grande, o que com certeza desespera nossos adversários'', declarou Barbosa.
Ainda segundo o candidato, o petebista desconhecia a armação. Os motivos pelo qual o encontro foi marcado na residência e na presença de Canziani, supostamente sem seu total conhecimento dos fatos, não ficaram claros. ''Não podia fazer na minha casa, ele (Lopes) não iria. O Luciano também foi assessor do deputado (Canziani), e precisávamos fazer isso em algum lugar.''
De acordo com Barbosa Neto, Lopes teria se comprometido a dizer quem o estaria ''financiando para que viajasse de avião e se hospedasse em hotéis cinco estrelas, estando desempregado''. Quanto às acusações contra Hauly, afirmou: ''A Justiça citou um funcionário dentro do escritório dele e o deputado pediu minha cassação em Brasília. Acho que vestiu a carapuça, mas quem vai apontar o culpado é a Justiça''.


