Todas as pesquisas publicadas até agora mostram que, para metade dos eleitores, a escolha de um candidato à Presidência ainda é provisória. O último dado, publicado pela pesquisa Sensus, no início de agosto, mostra que 49% dos eleitores admitiam que suas indicações poderiam mudar.
A firmeza ou incerteza do voto varia, porém, entre eleitores dos vários candidatos. Lula tem hoje o eleitorado mais consolidado: 62% dizem que seu voto está definido. Para os outros candidatos, a proporção é menor: 45% de José Serra, 51% de Garotinho e 52% de Ciro Gomes. E, fato significativo, entre os que consideram ''ótimo'' ou ''bom'' o governo Fernando Henrique, a maior parte optou por Ciro (30%) e Lula (26%) do que por Serra (19%).
Por isso, desenhar o perfil do eleitorado de cada candidato é um trabalho sujeito a alguma volatilidade, típica do momento eleitoral e, sobretudo, das peculiaridades desta eleição. Nenhuma outra, antes desta, teve uma exposição dos candidatos tão intensa na mídia.
Também particular a esta eleição é a antecipação de programas de governo, como os de Lula e Serra, lançados em atos públicos, e o de Ciro, acessível na Internet. Independentemente de programas, nunca os candidatos foram tão questionados sobre suas propostas e tão expostos, pela mídia, a testes de consistência.
Por tudo isso, boa parte do eleitorado espera fazer uma escolha definitiva mais para a frente. Afinal, faltam ainda quase dois meses para o primeiro turno. Segundo a pesquisa Sensus, 68% dos eleitores dizem que só decidirão ao final da campanha.

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