Quem quer comendar o IPE? Até agora, ninguém
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terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Sucursal de Curitiba 
O governo do Estado ainda não conseguiu encontrar um político que queira assumir a presidência do Instituto de Previdência do Estado (IPE). Responsável pela assistência médica e previdênciária de aproximadamente 180 mil servidores, o IPE está imerso em dívidas. A presidência do IPE é a única pendência de Jaime Lerner na formação da nova equipe, que até ontem continuava sem definição.
O governo não informa qual o valor exato das pendências, mas o tesouro estadual não tem repassado ao Instituto a parcela mensal de cobertura que lhe cabe na composição da receita do órgão.
Uma parcela considerável das pendências de cerca de R$ 400 milhões entre receita e despesa detectadas no caixa do governo no fechamento do balanço de 96 está relacionada a precatórios hospitalares. Os hospitais e médicos conveniados estão sem receber do governo há seis meses. A consequência direta foi a suspensão dos atendimentos a funcionários. Ninguém mais quer atender servidor estadual e os equipamentos disponíveis no instituto para atendimento direto estão sucateados, dependendo de reparos e renovação.
No fervo das especulações sobre o processo de fritura do secretário da Fazenda, Miguel Salmoão, o chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, brincava de leiloar o IPE, para desviar a atenção de jornalistas. Você não quer assumir o IPE, perguntou, para fugir do assunto Fazenda.
O IPE está sem presidente desde que o último deles, André Zakarov, não pensou duas vezes em aceitar o convite do prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, para assumir o comando da CIC, empresa gerenciadora da implantação de indústrias na cidade. O ex-prefeito de Guarapuava César Franco chegou a ser cogitado para dirigir o instituto, mas conseguiu se instalar numa área menos conflituosa, a direção do Detran.
Antes de Zakarov, a presidência do IPE já tinha criado problemas para o médico Waldmir Belinati - irmão do prefeito de Londrina, Antonio Belinati, e cunhado da vice-governadora, Emília Belinati - que entrou em atrito com a equipe do governador Jaime Lerner, por ter pago a um grupo de pensionistas uma soma elevada de indenizações.
Em consequência da crise, Waldmir Belinati acabou deixando o governo do Estado. A versão oficial foi de que ele saiu por vontade própria, para comandar uma parte da campanha do irmão à Prefeitura de Londrina. (M.T.)


