O senador e ex-candidato ao governo do Paraná Roberto Requião (PMDB) se pronunciou ontem pela primeira vez sobre sua derrota para Beto Richa (PSDB) ainda no primeiro turno, domingo último. Em uma "entrevista coletiva" pela internet – modalidade que adotou ainda na campanha eleitoral –, o peemedebista explicou os motivos que considerou cruciais para o resultado, criticou a imprensa e a Justiça Eleitoral e, aparentemente magoado, reclamou da votação que obteve, além de declarar apoio à reeleição de Dilma Rousseff (PT).
Requião lançou-se candidato quando o PMDB se preparava para apoiar a reeleição de Beto. Ele conseguiu o direito de entrar na disputa em convenção partidária, com apoio de 56% dos filiados, mas, na prática, a ala contrária acabou apoiando o tucano ao longo da campanha. Ontem, ele admitiu o problema da divisão na sigla: "Mas (colocando minha candidatura), fiz sobreviver o MDB de guerra". Anteontem, Beto venceu com 55,6% dos votos válidos, enquanto Requião ficou com 27,5%.
Na transmissão online em seu site pessoal, Requião disse que se candidatou "mais como voluntário para ver o Paraná em ordem, evitar a venda da Copel e da Sanepar". Porém, o peemedebista reclamou do alto custo da campanha do adversário e de "brigas" com redes de comunicação "que inventaram histórias de comida de cavalo".
Além disso, criticou a legenda que elegeu o tucano, composta de 17 partidos, a campanha de Beto e fatos denunciados por ele à Justiça Eleitoral, como a adoção de um telemarketing com propaganda negativa a ele. "Agora, quem perdeu mesmo foi o povo do Paraná. O Estado está quebrado", voltou a dizer.
Ao abrir espaço para perguntas dos internautas, Requião passou a demonstrar a mágoa com a votação que teve. Para ele, o eleitor votou em Beto "com apoio das tevês", que não o entrevistaram em relação a rebeliões em presídios durante a campanha eleitoral.
Ao falar de Londrina, o peemedebista acusou seu adversário de não ter feito nada pela cidade em quatro anos, enumerando obras de sua gestão, como os hospitais da Zona Norte e da Zona Sul e o Jardim Botânico. "Mas tive poucos votos aí (Londrina)", lamentou, lembrando que o próprio presidente licenciado do partido no município, Sérgio Bahls, passou a apoiar o tucano. "Ele recebeu um ‘carguinho’ na Sanepar e foi para o lado de Beto Richa."
Nem mesmo o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), foi poupado: Requião o acusou de definir o apoio mediante a liberação de verbas para o município. "O Kireeff dizia que estava indefinido e tornou a eleição um negócio. O Beto foi lá e liberou uma verba e ele declarou apoio."
Requião também questionou o apoio ao governador que, na eleição de 2012 à Prefeitura de Londrina, apoiou o adversário de Kireeff, Marcelo Belinati (PP).
A mesma crítica em relação à votação foi feita aos eleitores de Foz do Iguaçu. Após enumerar obras feitas por lá, lamentou que o adversário tenha ficado com 69% dos votos. Requião ainda reclamou do empenho dos professores, categoria simpática a ele. "Onde estavam os professores que não estavam nas ruas? Estavam comigo muito passivamente", afirmou.

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