Para os vereadores da Câmara de Londrina, os mais de R$ 242 mil gastos mensalmente com salários (deles e de mais dois assessores cada um) e cotas de xerox, correio e telefone são justos, frente aos benefícios que a atividade da Casa traz à população da cidade. A manifestação dos parlamentares repercute matéria publicada pela Folha em sua edição de domingo, a qual inaugurou uma série de reportagens sobre o custo do Poder Legislativo em algumas cidades paranaenses.
Segundo o presidente, vereador Orlando Bonilha (PL), o salário bruto de R$ 6.923,63 que cada um dos 21 representantes recebe acaba sendo gasto, na maior parte das vezes, no contato com a população. ''Visitamos bairros e, com isso, pagamos gasolina e ligações de celular do próprio bolso'', justificou, obtendo o apoio do vereador Renato Araújo (PP), que exemplifica: ''Esses dias fui chamado para uma ocorrência na zona rural da cidade e não recebi nenhuma verba adicional por isso'', exemplificou.
Para Tercílio Turini (PSDB), a proposta de diminuição no número de vereadores de 21 para 10, sugerida em estudo encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Subseção Londrina ao Ministério Público (MP), não representa necessariamente uma economia para o município atualmente, a Câmara engloba 4% do orçamento para 2003, ou R$ 10,69 milhões anuais. ''Como é uma instituição democrática que faz e aprova leis, tem que ser mais valorizada. E desde 69 que o número é o mesmo'', alegou, acrescentando que, no fim do ano passado, ainda sob sua gestão na presidência, foi devolvida ao Executivo uma sobra de cerca de R$ 1,4 milhão. ''Ganhamos um bom salário, mas, diferentemente dos deputados, não recebemos diversos tipos de auxílios de custo no exercício da função. E Londrina tem problemas tão grandes quanto os de uma cidade de grande porte '', disse. Turini destacou algumas ações da Câmara, na última administração, que valeriam o custo-benefício para o londrinense. Entre elas está a abolição do voto secreto nas sessões, bem como a aprovação da lei que impediu a venda das ações da Sercomtel Celular e a atual discussão sobre a municipalização dos serviços de água e esgoto, realizados hoje pela Sanepar. ''Pensar em uma eventual reforma no Legislativo de Londrina é agir de baixo para cima, isso está errado'', criticou a vereadora Márcia Lopes (PT).
A transparência das ações, de acordo com os vereadores, também é outra meta que tem sido atingida além das reuniões com representantes de bairro e das audiências públicas principalmente desde 2002, quando foi implantada pela primeira vez no Estado e no Brasil a transmissão on-line das sessões ordinárias. Ainda este semestre, deve ser votado o Código de Ética elaborado pela comissão presidida pelo vereador Roberto Kanashiro (PSDB). ''O Conselho terá a figura do corregedor, que fiscalizará as ações dos parlamentares em questões disciplinares e, se necessário, imputará punições'', informou. Outra novidade da iniciativa será um sistema informatizado sobre as atividades dos vereadores, de forma a prestar contas à comunidade.

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