‘‘Quem manda sou eu’’. Foi nesses termos inequívocos que o presidente Fernando Henrique Cardoso rejeitou ontem a proposta do presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), de se operar ‘‘um desmonte radical do Estado’’. A idéia de Bornhausen, destinada, segundo ele, a enfrentar a encruzilhada do déficit fiscal, traz embutidas privatizações como as do Banco do Brasil, da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal. ‘‘É uma opinião de um líder, e a opinião de um líder é sempre respeitada. Mas não é a minha opinião, afirmou FHC, em entrevista no Rio, durante o encerramento do encontro entre governantes do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), à qual se agregaram, desta vez, os presidentes do Chile e da Bolívia.
O desmonte radical do Estado, prosseguiu o presidente, ‘‘nunca esteve na agenda (do governo). Não tem nada a ver’’. Negou ter pretendido privatizar aqueles bancos e empresas. Opinião favorável à privatização ‘‘pode partir de algumas pessoas que são da base do governo , disse ele. ‘‘Quem manda sou eu’’. FHC disse ter ‘‘o respaldo de milhões de brasileiros e por causa disso ‘‘a tranquilidade de decidir com a minha cabeça’’ .
Ainda quanto à política interna, qualificou como ‘‘premonição do caos a visão de que o Congresso vem prejudicando o ajuste fiscal encaminhado pelo governo. ‘‘A base do governo resvalou (escorregou) num entre os muitos pontos que nós propusemos , disse. Citou como exemplo contrário o fato de o Senado ter aprovado hoje o acordo fechado entre o Brasil e o FMI. ‘‘O Congresso tem autonomia. Vez por outra vota contra o governo. Mas isso é uma coisa normal na democracia , disse ainda.
FHC deixou escapar um pequeno lapso ao se referir minutos depois ao Congresso. ‘‘Isso mostra como é difícil governar com um Congresso... . Ao perceber que poderia cometer uma inconveniência, recomeçou a frase, que saiu assim: ‘‘Como é fácil governar com um Congresso como o nosso, sintonizado com o país . Em seguida, qualificou de ‘‘histórica’’ a ratificação do acordo com o FMI.
Em outro momento público de sua agenda, no Rio, FHC disse, em tom de brincadeira, que não imitaria o exemplo de seu colega argentino, Carlos Menem, que aspira um terceiro mandato presidencial. ‘‘Eu imito o Menem em muitas coisas, mas não em todas. Para mim, dois mandatos já são mais que suficientes’’.
Magalhães O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), desautorizou ontem o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, a emitir em nome do partido opiniões negativas sobre o futuro da economia do País. ACM disse que ele e muitos de seus colegas do PFL discordam da previsão de que o cenário econômico brasileiro será de grandes dificuldades daqui a seis meses. O senador atribuiu o pessimismo de Bornhausen à sua ‘‘descendência germânica’’.Arquivo FolhaBornhausen: ‘‘Desmonte radical’’João Batista Natali
Agência Folha

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