O balanço da decisão de Jader de licenciar-se da presidência do Senado mostra uma divisão entre os que se saíram bem do episódio e os que ainda terão de explicar o apoio que deram ao parlamentar. Fora da presidência, Jader é tido como o maior derrotado da operação. Ele resistiu no cargo durante 167 dias, mas, ao fim, foi obrigado a se dobrar às pressões de seu partido, da oposição, do governo e, sobretudo, da opinião pública.
- Quem perde
Jader – Sem o comando do Senado, o parlamentar perdeu os instrumentos de que dispunha para ameaçar o Planalto e o Banco Central. Sua opinião sobre as matérias que devem ser votadas no Senado ou no Congresso passa a ser irrelevante. O senador perdeu ainda o poder de obstruir no Legislativo as investigações das denúncias de que é alvo.
PMDB governista – A ala que se manteve aliada a Jader até a última hora recuou. Mas corre o risco de chegar aos palanques eleitorais, em 2002, sem conseguir se livrar do rótulo de ter compactuado com um colega acusado de corrupção.
PSDB – Sem o apoio do partido, Jader não teria ocupado a presidência do Senado. Os tucanos nem mesmo podem dizer que não sabiam das denúncias. Todas elas já haviam sido divulgadas pela imprensa.
Ministro da Saúde, José Serra – Para marcar posição contra Antonio Carlos Magalhães, o ministro apoiou a eleição de Jader à presidência da Casa. É atribuído a Serra a pressão para que o governo saísse de uma posição de neutralidade e apoiasse a aliança do PSDB com o PMDB.
Procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro – O procurador deu a cobertura que Jader necessitava para se manter na presidência do Senado. Mais de uma vez, alegando falta de provas, ele mandou arquivar pedidos de abertura de inquérito para investigar o senador. Brindeiro só mudou de idéia depois de perceber que a quase totalidade do Ministério Público, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso estavam contra ele.
- Quem ganha
Presidente Fernando Henrique Cardoso – Ele conseguiu se desfazer, em três meses, de dois líderes que lhe causavam mais dor de cabeça do que alívio no trato com o Congresso. FHC conseguiu se livrar do peso de ter apoiado Jader na presidência em oposição a ACM, ao deixar claro que o governo não compactuava com manobras para mantê-lo no cargo.
Presidente do Banco Central, Armínio Fraga – Foi o mais político de todos no processo de enfraquecimento de Jader. Com documentos, encurralou Jader ao mostrar que ele mentia ao se esconder na interpretação grosseira de pareceres do banco.
Senado – A instituição se livra, pelo menos por enquanto, de um presidente atingidos por denúncias de corrupção.
PMDB oposição – A turma do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, ficou mais forte na briga pela presidência do partido. Jader, enfraquecido, deixa praticamente sem adversário a ala que defende o lançamento de uma candidatura própria.
Oposição – Saiu vencedora, ao captar a reação popular contra a permanência de Jader na presidência do Senado. A oposição conseguiu capitalizar, mais uma vez, a bandeira de guardiões da moralidade política. É ainda quem vai ganhar pelo prosseguimento das investigações.
PFL – A licença de Jader deixa o PFL com o comando do Senado. O partido deve ainda retomar a posição privilegiada que usufruía no governo.

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