QUEM GANHA E QUEM PERDE
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sexta-feira, 20 de julho de 2001
Rosa Costa Agência Estado De Brasília 
O balanço da decisão de Jader de licenciar-se da presidência do Senado mostra uma divisão entre os que se saíram bem do episódio e os que ainda terão de explicar o apoio que deram ao parlamentar. Fora da presidência, Jader é tido como o maior derrotado da operação. Ele resistiu no cargo durante 167 dias, mas, ao fim, foi obrigado a se dobrar às pressões de seu partido, da oposição, do governo e, sobretudo, da opinião pública.
- Quem perde
Jader Sem o comando do Senado, o parlamentar perdeu os instrumentos de que dispunha para ameaçar o Planalto e o Banco Central. Sua opinião sobre as matérias que devem ser votadas no Senado ou no Congresso passa a ser irrelevante. O senador perdeu ainda o poder de obstruir no Legislativo as investigações das denúncias de que é alvo.
PMDB governista A ala que se manteve aliada a Jader até a última hora recuou. Mas corre o risco de chegar aos palanques eleitorais, em 2002, sem conseguir se livrar do rótulo de ter compactuado com um colega acusado de corrupção.
PSDB Sem o apoio do partido, Jader não teria ocupado a presidência do Senado. Os tucanos nem mesmo podem dizer que não sabiam das denúncias. Todas elas já haviam sido divulgadas pela imprensa.
Ministro da Saúde, José Serra Para marcar posição contra Antonio Carlos Magalhães, o ministro apoiou a eleição de Jader à presidência da Casa. É atribuído a Serra a pressão para que o governo saísse de uma posição de neutralidade e apoiasse a aliança do PSDB com o PMDB.
Procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro O procurador deu a cobertura que Jader necessitava para se manter na presidência do Senado. Mais de uma vez, alegando falta de provas, ele mandou arquivar pedidos de abertura de inquérito para investigar o senador. Brindeiro só mudou de idéia depois de perceber que a quase totalidade do Ministério Público, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso estavam contra ele.
- Quem ganha
Presidente Fernando Henrique Cardoso Ele conseguiu se desfazer, em três meses, de dois líderes que lhe causavam mais dor de cabeça do que alívio no trato com o Congresso. FHC conseguiu se livrar do peso de ter apoiado Jader na presidência em oposição a ACM, ao deixar claro que o governo não compactuava com manobras para mantê-lo no cargo.
Presidente do Banco Central, Armínio Fraga Foi o mais político de todos no processo de enfraquecimento de Jader. Com documentos, encurralou Jader ao mostrar que ele mentia ao se esconder na interpretação grosseira de pareceres do banco.
Senado A instituição se livra, pelo menos por enquanto, de um presidente atingidos por denúncias de corrupção.
PMDB oposição A turma do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, ficou mais forte na briga pela presidência do partido. Jader, enfraquecido, deixa praticamente sem adversário a ala que defende o lançamento de uma candidatura própria.
Oposição Saiu vencedora, ao captar a reação popular contra a permanência de Jader na presidência do Senado. A oposição conseguiu capitalizar, mais uma vez, a bandeira de guardiões da moralidade política. É ainda quem vai ganhar pelo prosseguimento das investigações.
PFL A licença de Jader deixa o PFL com o comando do Senado. O partido deve ainda retomar a posição privilegiada que usufruía no governo.


