Quem cala consente?
Não havia outra saída se não a de permanecer calado: foi essa a postura de Beto Richa no Gaeco, mas, segundo informes, a esposa, Fernanda, teria falado. Como se discutia muito que os fatos tivessem ocorrido há tanto tempo, desde 2014 , Leonir Batisti, chefe da operação, esclareceu que peças fundamentais foram obtidas em maio recente do delator Tony Garcia. Houve reações sensíveis - surpreendentes porque a solidariedade aos Richa é zero- à fotografia da saída do casal encapuzado e humilhado da ´´Gazeta do Povo´´ vista como execração, enfim um exagero punitivo, quando não passa de um registro jornalístico.

Relaxamento
Advogados do ex governador tentam o relaxamento da prisão no STF porque veem no caso uma burla a já proibida "condução coercitiva". Há expectativa de que tal feito fique aos cuidados do ministro Gilmar Mendes, que tem posição militante sobre o que chama de transbordamentos da Lava Jato.
Para sair desse sufoco e deter a onda e que Beto sai da disputa senatorial, repetida ontem à exaustão, inclusive por elementos ligados ao núcleo duro do ex-governador, são dirigidos os esforços nesse momento. A cautela no momento é conhecer detalhes do depoimento da ex-primeira-dama.
De outro lado o grupo ligado à governadora Cida Borghetti insiste que Norberto Ortigara, ligado como outros tucanos à candidatura de Ratinho Júnior, tem vínculo estreito com a "Patrulha Rural" e haveria uma documentação, devidamente lacrada, de 30 caixas na Controladoria a esse respeito. Quando os acontecimentos podem ser conduzidos com vista ao interesse político tudo vale, ainda mais numa campanha curta que entra em sua reta final .

Eduardo Cunha
Um dos troféus da Lava Jato é o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, tão importante quanto o empresário Marcelo Odebrecht. Anda preocupado com a campanha da filha para deputada federal, mas no dia 3 de outubro terá audiência com Sergio Moro. O fluxo judicial revigora seus procedimentos que ganharam destaque com a coincidência de ação comum com o Gaeco nos últimos acontecimentos no Paraná.

Tensão diminui
A posse do novo presidente do STF, ministro Dias Toffoli, criou um clima de descompressão no colegiado e acredita-se que haverá um esforço enorme para afastar qualquer suspeita de politização e isso será facilitado pela pacificação que aparenta difícil. No discurso citou uma das luminares do pensamento moderno, Hannah Arendt, e os músicos Renato Russo e Cazuza com dominante espírito de conciliação. Isso ficou expresso no fato de ter convidado Luis Roberto Barroso, com quem tantas vezes dissentiu, como orador da posse.

Visão de Meirelles
Segundo Henrique Meirelles em sabatina na tv e jornal, Geraldo Alckmin não tem força, como mostram as pesquisas, para expressar o centro numa disputa radicalizada entre a direita e a esquerda. Mas Alckmin está empatado em segundo lugar com Marina, Ciro e Haddad. O fato é que Meirelles é o mais identificado com o "deus" mercado, mas não se dá nada bem com a realidade do varejo eleitoral. Ele aparece, em crescimento nas pesquisas, com apenas 3% nivelado com Alvaro Dias.

Pegando no pé
Como descobriram a moça do açaí de Bolsonaro, apuraram agora que o presidente do PDT, Carlos Lupi, se mantém num cargo na Câmara Municipal do Rio enquanto viaja pelo País, de cima para baixo, com o presidenciável Ciro Gomes. Lupi argumenta que sua função na Câmara de Vereadores permite flexibilidade.

Fernanda
Quando sugeriram que Fernanda Richa cometia um erro ao convocar fiscais da Receita Estadual para a campanha de agasalhos, boa parte deles envolvida na "Publicano", o governador saiu em defesa da esposa afirmando que ela não tinha menor noção do que era um auditor. Ora os auditores tinha uma demanda de atrasados salariais gigantesca e obviamente não pegava bem esse relacionamento próximo, ainda mais depois da descoberta da roubalheira. É nesse traço de ingenuidade que há especulações de que o silêncio de Beto Richa foi mais acústico do que se imagina.

Folclore
Há uma piada clássica do orador nordestino, candidato a governador, que no meio da praça passou a dirigir-se à estátua de Floriano Peixoto e o fazia entusiasmado como se trocasse um diálogo com o marechal. E a certa altura, empolgado, perguntou-lhe o que achava de sua candidatura e se a aprovava. Esperou minutos de silêncio e suspense e deu continuidade à fala, quase chorando, com a voz embargada: "Obrigado, marechal, porque quem cala consente!"

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