BRASÍLIA - Em jantar com o presidente Fernando Henrique Cardoso, anteontem no Palácio da Alvorada, governadores do PMDB reclamaram da ‘‘intromissão’’ de ministros na disputa pela presidência do Senado. A interferência teria ocorrido em favor de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), adversário do peemedebista Iris Rezende (GO). A Folha de S.Paulo apurou que o principal alvo das queixas é o ministro Sérgio Motta (Comunicações).
‘‘Levamos essa questão ao presidente e vamos continuar levando. O partido quer a neutralidade do governo na disputa pelo Senado’’, disse o governador Antônio Britto, principal aliado de FHC no PMDB. ‘‘Os ministros não podem ficar telefonando para senadores no meio da noite para dizer que a candidatura de Iris Rezende não é séria’’, afirmou Britto.
Apesar do descontentamento, Britto foi contrário à apresentação de uma moção, na convenção peemedebista, que vincularia a aprovação da emenda da reeleição à sucessão na Câmara e no Senado. ‘‘Seria como dar uma porrada no presidente’’, disse ele. O assédio governista em favor de ACM também foi criticado pelos governadores Maguito Vilela (Goiás) e Francisco de Assis Moraes, o Mão Santa (Piauí). ‘‘Queremos uma garantia de que a máquina do governo não entrará em ação no Senado’’, afirmou Mão Santa. ‘‘Não adianta o presidente se declarar neutro se ministros ficam por aí fazendo declarações estapafúrdias’’, comentou Maguito.
A eleição de ACM para o comando do Senado é um dos itens do chamado ‘‘acordão’’ da reeleição, que regulamenta a divisão de poder entre os partidos da base governista. O rateio, supervisionado pelo Palácio do Planalto, destina ao PMDB a presidência da Câmara.

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