Queda nas pesquisas incomoda líderes dos partidos aliados
Agência O Globo
De Brasília
O Dia D ainda não chegou e poderá nem existir. Mas, nesses quatro anos e meio, nunca a possibilidade de desembarcar do governo foi tão discutida pelos aliados. Desconfiados e irritados, os caciques dos partidos que ajudaram a reeleger o presidente Fernando Henrique Cardoso não fazem mais nada além de reclamar. PFL e PMDB ameaçam pública e reservadamente com o rompimento. E, incomodados com um governo cuja popularidade despenca pesquisa a pesquisa, o poder de sedução de Fernando Henrique já não os fascina mais.
Mas as pesquisas de opinião, que consultam fervorosa e periodicamente, não são o único motivo de tantas declarações de independência de peemedebistas e pefelistas. PFL e PMDB estão inconformados com a concentração de poder e verbas nas mãos dos tucanos, resultante da reforma ministerial. O PMDB até tem cargos importantes, como Ministério dos Transportes. Mas os recursos estão contingenciados. O mesmo acontece em praticamente toda a Esplanada. Os tucanos estão tratando os aliados a pão e água, acusam integrantes dos outros partidos.
O Ministério dos Transportes não tem um centavo. Há três meses indicamos um nome para a Petrobras. As diretorias foram preenchidas, sem o nome que indicamos. Quando se fala com Fernando Henrique ele diz que não sabia. Acrescenta que vai resolver. Nada acontece e a impressão, com esse descaso, é que o governo não quer mais nossa contribuição, diz Henrique Eduardo Alves (RN), vice-líder do PMDB na Câmara.





