O presidente Fernando Henrique Cardoso tentou reduzir ontem a importância da pesquisa Ibope-Confederação Nacional das Indústrias (CNI) que detectou queda de 10% na credibilidade do Plano Real. ‘‘É normal’’, avaliou. Para o presidente, o levantamento é velho e o ‘‘real está bem’’. Os ministros reagiram da mesma forma, enquanto os aliados do Palácio do Planalto no Congresso consideraram a pesquisa um ‘‘alerta’’. A expectativa de sucesso do real caiu de 46 para 36% entre março e maio, enquanto as previsões de fracasso cresceram de 11 para 19%.
‘‘O governo precisa passar para uma segunda fase, mostrar o que está fazendo’’, disse o líder do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Ele lembrou: ‘‘A estabilidade econômica não é um fim, mas um meio. Os ministérios, recomenda, devem abandonar a ‘‘posição tecnocrática’’ para ‘‘dar maior visibilidade política’’ às realizações do governo. ‘‘Há obras de saneamento sendo feitas nos municípios com dinheiro da União e as pessoas pensam que é o prefeito ou o governador que está fazendo.
Arruda citou o Ministério das Comunicações como exemplo a ser seguido. ‘‘O ministro Sérgio Motta está conseguindo mostrar que as mudanças feitas pelo governo são boas para a população’’, disse referindo-se à queda do preço das linhas e dos telefones celulares no mercado de Brasília após a abertura do setor à iniciativa privada.
O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), também defendeu que o governo avance ‘‘em outras áreas’’. ‘‘O governo não vai ficar só no real’’, afirmou.
Coube ao porta-voz da Presidência, embaixador Sérgio Amaral, avaliar os números da pesquisa. ‘‘Não há nenhuma razão econômica que justifique esta queda’’. Para Amaral, o resultado do levantamento refletiu um ‘‘efeito de contaminação de outras notícias ruins que afetaram a avaliação da população’’. O porta-voz classificou de ruins o reajuste do salário mínimo e a venda da Companhia Vale do Rio Doce.
O embaixador lembrou que a pesquisa divulgada pela CNI ‘‘tem mais de duas semanas’’ e não foi feita ou paga pela Presidência. Amaral disse que há três semanas o Planalto tomou conhecimento do resultado na parte que diz respeito à aprovação do presidente. ‘‘Normalmente, quando cai um item os outros caem também e não tem nada de excepcional nisso’’, argumentou.
O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, reagiu no mesmo tom do Planalto. ‘‘É preciso saber por quem foi feita esta pesquisa’’, disse o ministro. ‘‘Agora, é preciso também ver a nossa’’.

mockup