Queda na credibilidade do Real não assusta FHC
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quarta-feira, 11 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso tentou reduzir ontem a importância da pesquisa Ibope-Confederação Nacional das Indústrias (CNI) que detectou queda de 10% na credibilidade do Plano Real. É normal, avaliou. Para o presidente, o levantamento é velho e o real está bem. Os ministros reagiram da mesma forma, enquanto os aliados do Palácio do Planalto no Congresso consideraram a pesquisa um alerta. A expectativa de sucesso do real caiu de 46 para 36% entre março e maio, enquanto as previsões de fracasso cresceram de 11 para 19%.
O governo precisa passar para uma segunda fase, mostrar o que está fazendo, disse o líder do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Ele lembrou: A estabilidade econômica não é um fim, mas um meio. Os ministérios, recomenda, devem abandonar a posição tecnocrática para dar maior visibilidade política às realizações do governo. Há obras de saneamento sendo feitas nos municípios com dinheiro da União e as pessoas pensam que é o prefeito ou o governador que está fazendo.
Arruda citou o Ministério das Comunicações como exemplo a ser seguido. O ministro Sérgio Motta está conseguindo mostrar que as mudanças feitas pelo governo são boas para a população, disse referindo-se à queda do preço das linhas e dos telefones celulares no mercado de Brasília após a abertura do setor à iniciativa privada.
O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), também defendeu que o governo avance em outras áreas. O governo não vai ficar só no real, afirmou.
Coube ao porta-voz da Presidência, embaixador Sérgio Amaral, avaliar os números da pesquisa. Não há nenhuma razão econômica que justifique esta queda. Para Amaral, o resultado do levantamento refletiu um efeito de contaminação de outras notícias ruins que afetaram a avaliação da população. O porta-voz classificou de ruins o reajuste do salário mínimo e a venda da Companhia Vale do Rio Doce.
O embaixador lembrou que a pesquisa divulgada pela CNI tem mais de duas semanas e não foi feita ou paga pela Presidência. Amaral disse que há três semanas o Planalto tomou conhecimento do resultado na parte que diz respeito à aprovação do presidente. Normalmente, quando cai um item os outros caem também e não tem nada de excepcional nisso, argumentou.
O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, reagiu no mesmo tom do Planalto. É preciso saber por quem foi feita esta pesquisa, disse o ministro. Agora, é preciso também ver a nossa.


