Queda de FHC estimula alianças regionais

De olho na possibilidade de segundo turno, partidos se dividem e nenhum Estado repetirá a coligação que apóia o presidente

Agência Estado
A queda do presidente Fernando Henrique Cardoso nas pesquisas de intenção de voto agitou o mercado de alianças regionais entre os partidos políticos. Com o segundo turno à vista, o candidato das oposições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ganhou mais chances de atrair, nos estados, partidos da aliança governista, que participam de uma disputa fratricida: a aliança nacional entre PSDB, PFL, PMDB, PPB e PTB não vai se repetir em nenhum dos 26 Estados e no Distrito Federal.
Mais do que não reeditar a parceria nacional, o quadro das coligações regionais revela uma sucessão de brigas locais que, em vez de ajudar, complica a vida do presidente candidato. Lula tem as expectativas voltadas para uma aliança com o PMDB, em Minas, se o candidato ao governo for o ex-presidente Itamar Franco, no Paraná, onde o partido é controlado pelo senador Roberto Requião, e na Paraíba, se o candidato ao governo for Ronaldo Cunha Lima. ‘‘Queremos alianças mais amplas e estamos tentando conquistar o eleitor do PMDB’’, diz o presidente do PT, José Dirceu.
Nem Brasília, sede do governo federal, escapou da regra geral. O candidato do PSDB, senador José Roberto Arruda, fez uma aliança com o principal carrasco do governo federal nas denúncias de irregularidades em ministérios: o deputado Augusto Carvalho, do PPS de Ciro Gomes, adversário mais ruidoso de Fernando Henrique na corrida à Presidência. Carvalho, antes aliado do governador petista Cristóvam Buarque, será o candidato a senador na chapa de Arruda, para desespero do PFL e do PMDB nacionais.
Os dirigentes dos dois partidos estranham que Fernando Henrique não tenha controle sobre o PSDB de seu líder no Congresso, o senador Arruda. Para eles, é inadimissível que Arruda divida o palanque com Ciro Gomes e Augusto Carvalho. Afinal, antes de se ligar a Arruda, a diversão de Carvalho era patrulhar o governo por intermédio do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Foram incontáveis as vezes que Carvalho subiu à tribuna e pôs todo o governo sob suspeita de irregularidades.
Ciro Gomes terá lugar garantido no palanque do candidato Augusto Carvalho. Para complicar ainda mais a situação do presidente em Brasília, o candidato do PMDB, Joaquim Roriz, ameaça ‘‘descer do palanque’’ de Fernando Henrique, caso este não apresente propostas para a retomada do crecimento e geração de empregos.
No único Estado em que parecia tranquila a reedição da aliança - o Rio Grande do Sul -, os próprios tucanos trataram de criar dificuldades para a coligação. O ex-deputado Vicente Bogo ameaça lançar-se candidato ao governo contra o PMDB do governador Antônio Britto, à revelia da cúpula nacional do PSDB. ‘‘Espero que os companheiros do Rio Grande tenham a noção de que o Estado é decisivo, por ser o cenário da luta contra o PT, e por seu peso eleitoral,’’ apela o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM).

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