Queda de Calheiros é redenção para os 'lerneristas'
Queda de Calheiros
é redenção para
os lerneristas
A queda do ministro da Justiça Renan Calheiros teve um gostinho de redenção para o governador Jaime Lerner (PFL) e seus aliados políticos. Calheiros foi recentemente pivô de duas brigas de peso com o Paraná. A primeira foi com o governador. O ministro acolheu argumentos da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, e colocou o Paraná na vala dos Estados que cometem violência no campo, contra o Movimento Sem Terra (MST).
A trombada do ministro com o Palácio Iguaçu ocorreu no mês de maio. Uma comissão de deputados federais foi a Brasília reclamar da postura do governo com os sem-terra. Na época, acusava-se a Polícia Militar de ter espancado um sem terra. O secretário de Segurança, Cândido Martins Oliveira, foi inclusive convocado pelo Ministério da Justiça para prestar depoimento. O secretário levou um relatório contestando item por item.
Calheiros chegou a anunciar nos noticiários nacionais que ele e o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, desembarcariam no Paraná para acompanhar o processo de desocupação de áreas e cumprimento de ordens de reintegração de posse. Lerner não escondeu a irritação. Furioso, fez contatos em Brasília para frear o ministro, que, dias depois de ter armado a briga, teve de recuar publicamente, cancelando a vistoria prometida.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), também teve um entrevero com Calheiros. Foi por conta da anistia de multas de trânsito. Às vésperas de o governador sancionar a lei da Assembléia parcelando multas de trânsito e anistiando juros pelo atraso de IPVA, o ministro briu fogo contra os estados que concedessem esse tipo de perdão. Calheiros entrou com uma ação contra as leis de anistia junto ao Supremo Tribunal Federal. (L.D.)





