Queda de 75% em tanato não prejudica velórios
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quinta-feira, 22 de maio de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A realização de velórios na Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) não sofreu qualquer reclamação de familiares em razão da redução do serviço de tanatopraxia (técnica de conservação de cadáveres) registrada após o escândalo de irregularidades no órgão. Dados da própria Acesf indicam que a média de até 65 tanatopraxias por mês, entre abril de 2007 e março de 2008, caiu para aproximadamente 15 em maio - foram 11 até o dia 21 -, o que representa redução de cerca de 75%. Os representantes das duas empresas particulares que prestam o serviço disseram esta semana que o procedimento caiu a ''quase zero''.
Inquérito em curso no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) já indiciou 12 pessoas por suspeita de venda irregular do serviço, entre empresários e servidores da Acesf. Há suspeitas de pagamento de propina a funcionários municipais e ex-dirigentes da autarquia pelas empresas Tanato e Tanatorium Bom Pastor.
Mesmo com a queda no número de procedimentos nas últimas semanas, os velórios transcorreram normalmente, sem registro de mau cheiro ou vazamento de líquidos - as alegações mais utilizadas pelos servidores da Acesf e das empresas para 'forçar' a venda de tanato. ''Até agora, nesse mês, não tivemos nenhuma intercorrência neste sentido. Nós instituímos um registro para este tipo de problema, mas não houve reclamação até agora'', afirmou a nova superintendente da autarquia, Camila Kauam Menezes. De acordo com ela, a Acesf não fazia o registro dos cadáveres que apresentavam problemas durante os velórios.
Camila disse também que alguns dos procedimentos de tanato realizados em maio foram solicitados pelas próprias famílias, em razão do deslocamento do corpo para outras cidades ou pela necessidade de estender os velórios por mais de 24 horas. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), a tanatopraxia é dispensável para sepultamentos realizados menos de 24 horas após a morte ou para corpos que não são transportados por via aérea.
Para normatizar a realização de tanatopraxia, a nova diretoria da Acesf está elaborando um informativo de normas técnicas com colaboração da Associação Médica de Londrina (AML). Quando for finalizado, o ''protocolo de condutas'' substituirá a Comunicação Interna baixada pelo ex-superintendente Osvaldo Moreira Neto, que repassava aos preparadores de corpos a responsabilidade de decidir sobre a realização do serviço.
''De qualquer forma, nós já mudamos os procedimentos e orientamos que os preparadores, se perceberem qualquer indício que possa levar à necessidade da tanatopraxia, devem informar a família e orientar que procurem seu médico de confiança para esclarecer se existe realmente a necessidade. Qualquer tipo de contato com as empresas será feito pelo familiar, depois de estar seguro de que há necessidade do serviço'', contou Camila.
A nova superintendente da Acesf fez um apelo às pessoas que passam pela autarquia a procurar a direção se forem mal atendidas ou não receberem informações corretas relacionadas ao velório e sepultamento de seus familiares. ''Eu quero dar essa garantia de que as coisas não vão ficar sem averiguação. Temos que resgatar esse compromisso público na Acesf'', disse a superintendente.


