Quebra de sigilo confirma parte de denúncia
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segunda-feira, 08 de agosto de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O delegado da Polícia Federal (PF), Kandy Takashashi, recebeu ontem os dados da quebra de sigilo bancário do ex-coordenador estrutural da campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), Augusto Ermétio Dias Júnior. A medida foi solicitada dia 3 e o pedido concedido no mesmo dia pelo juiz da 41 Zona Eleitoral, Jurandyr Reis Júnior.
A quebra do sigilo bancário de Augusto foi motivada pelas informações concedidas pela ex-assesssora financeira da campanha Soraya Garcia que denunciou o suposto esquema de caixa 2 na campanha. Ela afirmou nos depoimentos prestados à PF e ao Ministério Público Eleitoral (MP), que na conta corrente do ex-diretor administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), teriam sido depositados três cheques, de R$ 10 mil cada, doados por uma empresa de Londrina para suposto caixa paralelo.
Em entrevista concedida à Folha dia 5, Augusto negou a denúncia.''Não houve o depósito desses três cheques. O meu sigilo está quebrado, o pessoal vai verificar. Esses três cheques não foram depositados na minha conta'', afirmou. No entanto, ele admitiu que pela sua conta pessoal, possam ter passado recursos para a campanha. ''Os depósitos que eu fiz eram particulares, a sua grande maioria. A vida de uma campanha eleitoral é intensa, a gente vive a 120 quilômetros por hora a todo instante. Mas posso ter trocado o depósito na conta, era para ter depositado em uma, depositei na outra, por causa da velocidade que a gente vive em uma campanha'', complementou.
Segundo Takahashi, as duas páginas referentes a movimentação financeira da conta corrente de Augusto, durante o mês de agosto de 2004, encaminhadas pela Caixa Econômica Federal (CEF), ''vêem a confirmar parte das afirmações de Soraya''. O delegado não comentou mais detalhes alegando que as informações estão sob sigilo.
Takahashi deverá receber hoje a relação de pessoas que estiveram no comitê eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT), montado no décimo sétimo andar do Edifício Twin Towers. Ele requereu mediante ofício encaminhado dia 5, informações do Sistema de Identificação de Visitantes entre julho e novembro de 2004. ''Para ver as pessoas que frenquentavam o comitê do partido.''
A PF já degravou o depoimento de Soraya, concedido dia 1. As oito horas de depoimento estão transcritas em mais de 40 páginas. Augusto será ouvido ainda esta semana.


