A cada dia que passa, o caso que trata da compra de créditos da Ovelpar pela Copel fica mais claro e ao mesmo tempo mais intrigante. Desde que o atual governo lançou a primeira suspeita, há cerca de 15 dias, as investigações têm avançado substancialmente. A Folha tem acompanhado diariamente o desenrolar das investigações e diariamente uma peça do quebra-cabeça se encaixa. O último ingrediente de peso, publicado com exclusividade pelo jornal na edição de sexta-feira, foi a participação do doleiro Alberto Youssef na transação. O fato está sendo investigado pelo Ministério Público, que também quer saber até que ponto representantes do governo anterior se envolveram no escândalo. O que não está claro ainda é como se comportaram o ex-governador Jaime Lerner (PFL) e o ex-presidente da Copel e ex-secretário de Estado da Fazenda Ingo Hubert diante da fraude. Nem se as operações trouxeram algum benefício financeiro para alguém de dentro governo.


Como uma luva


Duílio Genari (PPB) é novamente o presidente da Comissão de Tomada de Contas, aquela comissão que analisa entre outras coisas a contabilidade da Assembléia e os gastos dos deputados. A indicação de Genari já estava acertada. O deputado fica no posto porque, além de ser hábil em esconder as informações, reza a cartilha da presidência da casa.


Doação


Está no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para quem quiser conferir. A Rodosafra Transportes e Logística, credora da Olvepar que recebeu R$ 3,2 milhões em um negócio suspeito envolvendo a compra de créditos da Olvepar pela Copel, doou R$ 100 mil para a campanha do senador Alvaro Dias (PDT) ao governo do Paraná, durante o segundo turno.


Desterro


Dizer que o inquérito policial que investigou a intervenção do então senador Roberto Requião (PMDB) em um acidente de trânsito envolvendo seu sobrinho em 2001 não deu em nada seria exagero. A rotina do delegado Guaracy Joarez Abreu, que presidiu o inquérito, foi substancialmente alterada no início do ano. Da Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, Abreu foi transferido para União da Vitória. Bem longe dos perigosos cruzamentos das ruas de Curitiba. Para não trombar.


Empatados


Requião e Cassio Taniguchi estão empatados. Os dois, que são inimigos políticos, não precisaram desistir de decisões já tomadas por conta da pressão de um sobre o outro. O governador do Estado tirou a cerca da Praça Nossa Senhora de Salete sem pedir permissão para a prefeitura, dona das grades, e o prefeito de Curitiba reajustou as tarifas de ônibus anteontem sem precisar negociar com o Palácio Iguaçu, que tem poderes sobre a rede integrada de transporte coletivo.


Clima quente


Uma dupla conhecida de empresários e playboys curitibanos está em pé de guerra. O motivo da discórdia começou ainda em 2001, quando um deles abriu um bar no Batel, bairro chique da capital. Rapidamente, o outro, que também é político e já tem um bar há alguns anos, em outra região da cidade, correu atrás de um ponto no Batel e abriu um estabelecimento com cara de ''cópia da cópia'' na mesma calçada. Nascia aí uma briga com vários capítulos.


Baixaria


O empresário que se sentiu copiado deu o troco tornado-se vizinho novamente do jovem político. Durante as obras do empreendimento, inaugurado esta semana, houve até desvio de areia devidamente documentado com fotografias para provar que as agruras no relacionamento dos dois devem se acirrar ainda mais. Como se não bastasse, um colunista de um jornal da cidade, com circulação estadual, deu nota dizendo que o bar inaugurado era do jovem político.


Frota


O governo do Paraná está revendo todas as cláusulas dos contratos de locação firmados pela administração de Jaime Lerner (PFL) com a Comércio Transporte e Locação de Veículos Ltda. (Cotrans), de Osni Pacheco, numa tentativa de baratear o custo da frota. Atualmente, o governo estadual tem 180 carros locados da empresa. Já chegou a ter 300.


Cliente vip


A Prefeitura de Curitiba continua sendo a melhor cliente da Cotrans. Aluga 625 veículos.


Reformulação


Ivo Pugnaloni, diretor de Planejamento e Distribuição da Copel, vai participar de um grupo de trabalho que vai reformular o setor elétrico brasileiro, em parceria com o Ministério de Minas e Energia. A informação é do governo estadual. O objetivo do grupo será de regulamentar as relações comerciais entre os agentes do setor elétrico. O convite veio do presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa. Pugnaloni integrou a equipe que elaborou o programa de energia apresentado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral.


Na telinha


O deputado Alex Canziani (PTB) estrea nesta semana novo programa de tevê. Diariamente, de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 11h40 na CNT-Tropical, de Londrina.


Balanço


O PPB se reúne amanhã em Curitiba, para discutir as eleições do ano que vem. O deputado federal Dilceu Sperafico comanda sua primeira reunião como presidente do partido.


Perguntinha


Até quando Jaime Lerner e Ingo Hubert vão manter o silêncio?


Leandro Donatti e sucursais
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