Quatro mulheres e uma criança de 1 ano e 5 meses foram mortas a tiros ontem de madrugada na terceira chacina do ano na Grande São Paulo. Outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas duas crianças, duas mulheres e um homem. O crime ocorreu por volta das 2h40 em um sobrado da rua Ceará, na Vila Rosália, em Guarulhos.
De acordo com a assessoria de imprensa do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), desde 95, quando o órgão passou a fazer levantamento desse tipo de crime na região metropolitana de São Paulo, é a primeira vez que a maioria das vítimas é mulheres e crianças. Com o caso de ontem, sobe para 11 o número de mortos em chacinas neste ano em São Paulo.
A polícia de Guarulhos ainda não tem muitos detalhes do crime. Ontem, a única coisa que os investigadores sabiam é que um grupo de homens encapuzados invadiu o sobrado armado com metralhadoras, pistolas e uma espingarda calibre 12.
No momento da chacina, pelo menos 11 pessoas estavam dentro da casa. Segundo o delegado Edson Silveira, responsável pela delegacia de homicídios da Seccional de Guarulhos, Luciana Maria Alves da Silva, 17 anos, seu filho Luciano Fernandes da Silva, de 1 ano e 5 meses, Mariza Alves, 16, e as irmãs Neuza Teodoro de Araújo, 35, e Renata Bizarria de Araújo, 18 anos, morreram na hora.
Neuza foi encontrada no banheiro que fica na parte de baixo do sobrado. As outras quatro vítimas estavam em um dos quartos na parte superior da casa. Segundo a polícia, Luciano estava no colo da mãe quando foi atingido por um tiro no peito.
No local, a polícia encontrou 55 cápsulas de diversos calibres e três cartuchos de espingarda calibre 12. Os cinco feridos - R.J.F.S., 25; M.A.H., 13 anos; O.F.S., de 1 ano e 3 meses; I.F.G., 36 anos; e seu filho J.C.G., 5 anos - estão internados em três hospitais da cidade. Nenhum deles foi ferido gravemente. Segundo a polícia, os cinco passam bem. R.C.S., 25 anos, escapou ilesa do sobrado. Em depoimento à polícia ontem pela manhã, ela afirmou que se escondeu embaixo de uma mesa e disse não ter visto nada.
De acordo com o delegado, existe a possibilidade de o crime estar relacionado ao tráfico de drogas. A suspeita é baseada no fato de o marido de Neuza, Osni Fernandes da Silva, estar preso sob a acusação de traficar entorpecentes. Seu irmão, Adolfo Teodoro de Araújo, também está preso pelo mesmo motivo, segundo o policial.
Além disso, de acordo com o DHPP, Neuza seria dona de um bar no Tremembé, na zona norte de São Paulo, onde há suspeitas da existência de tráfico de drogas. ‘‘Tudo indica que o alvo dos atiradores era a Neuza’’, disse Silveira.
Vizinhos do sobrado afirmaram ontem que os ocupantes do sobrado tinham hábitos estranhos e raramente falavam com os outros moradores da rua. Além disso, o movimento no sobrado, quase que inexistente durante todo o dia, era bastante intenso à noite, com muitas pessoas entrando e saindo. Segundo os vizinhos, não era raro encostar algum carro importado no portão da casa. ‘‘Vinha muita gente estranha à casa , afirmou a cabeleireira Alaíde de Barros, 50 anos.
Segundo vizinhos e a polícia, outro detalhe estranho é o fato de ninguém saber ao certo quantas pessoas moravam no sobrado. Uns falam em 12, outros 15 ou 20. O que mais chamou a atenção dos policiais foi a falta de móveis no local. Provavelmente, afirmaram os investigadores, as pessoas dormiam em colchões colocados no chão. Segundo a polícia, a maior parte dos moradores é originária do Paraná.

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