Quatro anos são insuficientes, diz Lula
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terça-feira, 21 de dezembro de 2004
Por Julia Duailibie Eduardo Scolese<br> Folhapress 
Brasília - Após governistas terem defendido uma mudança no seu tempo de mandato, ontem foi a vez do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que quatro anos são ''insuficientes'': ''Não acho que é pouco. É insuficiente para fazer tudo o que se quiser fazer''. Questionado se defendia um mandato de cinco ou seis anos, Lula completou: ''Não sei qual seria o tempo bom. Acho que na reforma política vai ter que se discutir se vai ter reeleição ou não''.
Na semana passada, o senador José Sarney (PMDB-AP) e o ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) disseram que o mandato presidencial poderia ser maior. Lula disse que eventuais mudanças não devem ocorrer agora. ''Esquece isso. Só a partir de 2010'', disse ele no Comitê de Imprensa do Planalto, reinaugurado ontem após reforma, com direito à bênção de seu ex-assessor Frei Betto.
Questionado sobre o fato de aliados terem lançado seu nome à reeleição, disse que a discussão é ''precipitada'': ''Está antecipado. Isso pode ser feito por quem está fora do governo. Nós não temos o direito de transformar 2005, que é o ano da grande retomada do crescimento e da geração de emprego, em discussão de 2006. Seria um absurdo e seria irresponsabilidade da minha parte'', disse.
''Se a oposição quiser fazer (antecipar a discussão), ela tem o direito de fazer, eu também não vou reclamar. Quero dizer que em 2005 não discutirei eleição de 2006. 2005 é o ano de colher o que plantamos. Eleição, para mim, só no ano de eleição'', concluiu.
Pouco antes, em cerimônia no Planalto sobre o lançamento de fundo de investimento em energia, Lula havia dito que o Brasil, em sua gestão, ''resolveu enfrentar e não mascarar nossas dificuldades e nossas fragilidades''.
Ao falar sobre as diretrizes de seu governo, comparou-se, indiretamente, aos presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Disse que ambos ''conseguiram enxergar além do nevoeiro e credenciar o desenvolvimento nacional com projetos exigidos pelo seu tempo''. ''A história e o calendário encontram-se mais uma vez nessa sintonia virtuosa'', afirmou.
E, mais uma vez, criticou Fernando Henrique Cardoso: ''O constrangimento de oferta de energia, como o de 2001, poderia ter sido evitado se existissem regras claras e planejamento'': ''Essa imprevidência não se repetirá''.
Falou ainda de sua relação com a imprensa: ''Vocês podem ter certeza de que os erros que aconteceram na nossa relação neste ano não acontecerão no ano que vem, que os acertos serão aprimorados e que se pode trabalhar com a certeza que o ano que vem será mais promissor para o Brasil''.


