São Paulo - Desde a eleição municipal de 2004, 430 prefeitos trocaram de partido em todo o país, o que representa 7,7% dos 5.562 municípios brasileiros. Desse total, 155 fizeram a troca depois do dia 27 de março, data estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o início da fidelidade partidária nos casos de deputados e vereadores. Os dados são da Confederação Nacional de Municípios. As informações são da Agência Brasil.
O Estado com o maior número de trocas foi o Mato Grosso, com 65 prefeitos que mudaram de partido, seguido do Paraná, com 47, e do Tocantins, com 45. Dos 430 prefeitos que mudaram de partido, 124 têm vice na mesma legenda do partido de origem.
Desde 2004, 77 prefeitos deixaram o PPS, a legenda que registra a maior evasão, seguida do DEM, com 64; e do PTB, com 46. Entre os que mais receberam, o PMDB lidera a lista, com 134 prefeitos; seguido pelo PR, com 98; e o PSDB, com 54.
''Se considerarmos os 5.562 municípios do país, o número de trocas não tem um peso muito grande. A troca é muito mais gritante no Congresso Nacional, que tem apenas nove meses de existência e mais de 10% (dos deputados eleitos) trocaram de partido. O número de prefeitos que mudaram de partido é inferior a 10%, em quase três anos'', compara o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski.
Para ele, a decisão do TSE foi acertada, mas deve valer apenas para quem trocar de partido a partir de agora, sob pena de pegar muitos prefeitos de surpresa. ''A decisão foi no caminho certo. Os partidos são soberanos, ninguém concorre sem se filiar a um partido, portanto os políticos devem um retorno e o cumprimento do programa partidário'', disse.
Ziulkoski defende que seja revista a forma de substituição de quem perder o mandato, no caso dos cargos majoritários. ''Se o partido reivindicar o mandato de um prefeito que migrou de partido, o cargo deveria continuar com aquele partido, e não com um vice de outra legenda. Isso vai ter que ser aprofundado''.
Sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada quarta-feira no Senado Federal, que estabelece a fidelidade partidária para os cargos majoritários, Ziulkoski acredita que o projeto terá que sofrer alterações para ser aprovado na Câmara.

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