Pedro Livoratti
De Londrina
Com a ditadura, em 1964, o então deputado Aníbal Khury, que na época já não tinha um posicionamento esquerdista, acabou sendo cassado pelo regime. Os militares prenderam também seu irmão, Jorge Khury, na época exercendo mandato de deputado federal.
‘‘Os militares sabiam que eu tinha condições de indicar o governador ou me tornar o próprio’’, confessou certa vez o ex-presidente da Assembléia. Segundo contou, a acusação para a prisão foi de contrabando de café, armas, de exploração de lenocínio, jogo do bicho. ‘‘Inventaram que eu e o Jorge tínhamos ligações com terroristas estrangeiros, participando de um plano para matar o presidente Costa e Silva’’, afirmou Aníbal em entrevista à Folha, em 1996.
Segundo detalhou naquela época, as listas de cassações eram muitas no Paraná, tal como no País. Para não ser cassado, Aníbal tentou agradar aos militares, concedendo títulos de cidadão honorário a Ernesto Geisel e Castelo Branco. Comandantes da 5ª Região Militar também foram condecorados.
Mas as tentativas foram em vão. Em 11 de março de 1969, ele foi preso, enquanto almoçava em sua casa, em Curitiba. O empreiteiro Cecílio Rego Almeida, que estava com Aníbal, lembra detalhes da prisão. ‘‘De repente, 17 soldados fantasiados de macaco, entraram e o prenderam. Ele não teve nenhum ríctus, de medo ou de covardia. Saiu andando junto com os soldados’’, afirmou Rego Almeida. O deputado permaneceu 48 dias preso e dez anos cassado. Depois, foi absolvido de todas as acusações feitas contra ele durante o regime militar.

mockup