A FOLHA compilou, abaixo, os principais pontos de depoimentos que constituem a ação.
IVO DE BASSI
Também estreante na Câmara, o vereador Ivo de Bassi (PTN) deu aquele que, para o Gaeco, foi um depoimento-chave para a acusação de corrupção contra Gouvêa. Conforme o relatado por Bassi ao MP dia 14 passado, uma hora antes da votação do projeto ''Minha Casa'', Gouvêa teria falado com Bassi sobre a matéria ''que possibilitaria a alguns vereadores o ganho de algum dinheiro''. Na ocasião, teria ouvido ainda de Gouvêa que o prefeito Barbosa Neto (PDT) estaria ''levando algum dinheiro por fora'', não sendo ''justo'' que Gouvêa e seu grupo político também não recebessem ''um dinheiro'' como condição para aprovação. ''Há meses na função'', teria reclamado o vereador do PRP, ainda''não tinha recebido nada''. As investidas teriam sido, então, por meio de insistentes telefonemas ao celular de Bassi para que ele se retirasse do plenário, prejudicando o quórum da matéria. As constantes buscas por telefone foram confirmadas pela assessora que cuidava do celular do vereador durante a sessão, Silmara Carreira, que também depôs. Em uma noite posterior à votação, depôs Bassi, em uma sessão noturna de entrega de ''Comenda Ouro Verde'', à noite, Gouvêa teria se aproximado da esposa do parlamentar e dito que ele era ''um banana''.
ROBERTO FORTINI
No depoimento ao MP, Roberto Fortini (PTC) disse que, após as apresentações do projeto, ''ouviu de Rodrigo Gouvêa a frase 'para o prefeito tudo, e para os vereadores nada'''. Ontem, porém, Fortini disse à reportagem que fará uma retificação ao depoimento: ''Quis dizer que o mérito do projeto era do prefeito. Eu estava longe quando ouvi aquilo, não posso julgar'', resumiu.
MAURÍCIO COSTA
O empresário relatou que, antes da votação, Gouvêa o teria chamado para fora do plenário, no corredor, e fechado a porta de vidro que separa os dois setores. Na ocasião, o engenheiro teria estranhado o rumo do diálogo diante da pergunta: ''Quanto vai sobrar pra mim?'', que relatou ter ouvido de Gouvêa, o qual, antes da suposta investida, teria perguntado a Costa se ele estava na Casa ''como empresário''. No depoimento, o engenheiro relatou ter ficado ''furioso'' com a abordagem, o que o teria motivado a contá-la para ''diversas pessoas''. A única citada nos autos é o presidente da Mesa.
Costa ainda faz menção ao segundo turno de votação da matéria: o engenheiro teria percebido 'que o vereador chamava outros vereadores, no andar de cima, para impedir ou tumultuar a votação''. A retratação de menos de 10 linhas que o engenheiro assinou no dia seguinte - de acordo com o termo de declaração, para corrigir o que dissera de véspera porque se sentia ''pressionado pela sua consciência'' - não desmente nenhum dado do primeiro relato: lança dúvidas sobre o entendimento que ele próprio teria tido quanto à expressa supostamente usada por Gouvêa, mas reafirma a ''fúria'' sentida na ocasião.
Gouvêa, que depôs anteontem no Gaeco, negou as cobranças: disse que nunca antes daquele dia vira o empresário, e que, ao votar contrariamente à urgência do projeto, ''apenas pretendia discuti-lo melhor''. Sobre as declarações dos dois colegas de plenário, afirmou, sobre Bassi, que este ''não tem gostado da atuação'' de Gouvêa no Jardim Bandeirantes, reduto eleitoral de Bassi.
O prefeito Barbosa Neto (PDT), por meio da assessoria, ter ficado ''surpreso'' com a citação de seu nome, mas negou qualquer tipo de envolvimento, classificadas como ''declarações levianas''. (J.G.)

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