Quando o tema é controverso vale tudo na hora de votar
Curitiba - Um dos melhores termômetros para se medir o quão desgastante é defender um tema controverso são as estratégias usadas pelos parlamentares durante ou antes de uma sessão. Em 1999, quando o governo lutava para conseguir antecipar o recebimento de royalties do governo federal referentes à construção da Usina de Itaipu, até mesmo trotes telefônicos foram utilizados para perturbar a votação.
A origem do telefonema permanece desconhecida, mas os boatos de que a sessão noturna para aprovar a mensagem do governo teria sido cancelada atingiu vários parlamentares, forçando o líder do governo da época, Valdir Rossoni (PTB), a contatar toda a base aliada para retornar à Assembléia. A oposição temia ser esmagada na votação, o que de fato acabou ocorrendo, com a mensagem sendo aprovada por 36 votos a 9.
O troco da bancada governista veio na mesma hora, com os deputados cancelando a discussão individual das emendas apresentadas ao projeto. A votação acabou sendo realizada no curto período de 45 minutos, e a mensagem foi posteriormente chancelada por Lerner.
Com a aprovação da medida, o governador Jaime Lerner (PFL) conseguiu antecipar as receitas referentes à Itaipu, contrariando os parlamentares da oposição, que não queriam que o governo tivesse acesso a recursos de outros mandatos. Na negociação com o governo federal, entretanto, Lerner não teve a mesma sorte - em vez dos 23 anos de antecipação de receitas imaginadas pelo governo, apenas as verbas até 2002 foram concedidas. (R.S.)





