Curitiba - A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), afirmou ontem que o Brasil construído "pelo braço, pela mão e pela garra do povo brasileiro não vai andar para trás", em referência aos oito anos de governo do PSDB. Ao lado do senador Roberto Requião (PMDB), do vice-presidente Michel Temer (PMDB) e do ex-senador Osmar Dias (PDT), ela participou de um ato público na Praça Generoso Marques, no centro de Curitiba. Foi a primeira visita da petista ao Paraná desde o início da campanha eleitoral.
"Vamos mostrar que o Brasil não quer mais ficar de joelhos diante do FMI (Fundo Monetário Internacional). Eles (tucanos) quebraram esse País três vezes, eles criaram a maior onda de desemprego e reduziram os salários. Agora vêm e falam que o salário mínimo está muito alto. Está para eles, que ganham milhões, não para o povo deste País", alfinetou. "Eles, quando puderam, não fizeram e, hoje, com a cara mais limpa, dizem ‘ah, eu vou fazer o Bolsa Família’. Não vão não, porque nunca fizeram", acrescentou.
A candidata à reeleição se referiu também à afirmação do adversário Aécio Neves (PSDB), de que ela estaria "à beira de um ataque de nervos", e ao aumento dos ataques de parte a parte nos debates eleitorais. "Nós não somos da guerra, não somos da briga, mas quando nos desafiam, a gente encara uma boa briga".
Dilma chegou por volta de 14h20 à Praça Santos Andrade, vinda de Florianópolis, entrou em um carro adaptado aberto e seguiu em passeata pela Avenida Marechal Deodoro, sem falar com a imprensa. Mais de dez mil pessoas, segundo os organizadores, acompanharam a comitiva. Ao contrário de 2010, quando manifestantes chegaram a jogar balões cheios de água do alto de um prédio, desta vez a receptividade foi grande. Muitos moradores da região levantaram bandeiras do partido e apareceram nas janelas para saudar Dilma.
Também subiram no palanque o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), o candidato derrotado ao Senado Ricardo Gomyde (PCdoB) e o deputado federal reeleito Zeca Dirceu (PT). Terceira colocada na disputa ao governo do Estado, Gleisi Hoffmann (PT) não participou do evento. Conforme a assessoria de imprensa do PT, a senadora foi ao aeroporto buscar a presidente, mas tinha um compromisso com a deputada federal eleita Christiane Yared (PTN), que acabou atrasando.
Além de Dilma, o único a discursar foi Requião. Para o peemedebista, existem dois projetos de Brasil, o da petista, do pleno emprego, e o de Aécio, que representaria o liberalismo econômico e a submissão ao lucro dos banqueiros. "Temos que tomar uma decisão. Aqui estão os paranaenses que deveriam estar. E quem aqui não está se arrependerá por toda a sua vida por não ter estado".

Princípio de confusão
A concentração para o ato público começou no final da manhã. Deputados estaduais e líderes de movimentos sindicais discursaram em um caminhão de som montado ao lado do prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), para uma plateia formada por militantes petistas e de partidos aliados.
Um único incidente foi registrado, antes mesmo de a comitiva presidencial chegar. Um rapaz, sozinho, vestindo uma camisa com a inscrição "Fora Dilma" e portando o livro "Assassinato de Reputações", de Romeu Tuma Júnior, cruzou a concentração por, pelo menos, três vezes. Em uma dessas passagens, ele foi cercado por um grupo que arrancou sua camisa. Houve empurra-empurra, o jovem caiu e teve um ferimento no rosto. Foi afastado do local por policiais que controlavam o trânsito. Já durante a passeata, não houve manifestações contrárias. (Colaborou Roger Pereira).

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