Qual dos dois governos, federal e estadual, posto que assemelhados, fará da ruptura sua linha de conduta? Ambos prometem mudanças radicais, boa parte delas na raiz de sua pregação, o fato é que esse não é o ritmo do Brasil, um tanto quanto acomodado nas suas vocações.

Obviamente se esperava muito mais da transição Dilma-Temer, na qual tivemos arremedo de reforma, o limite dos gastos sugerindo uma austeridade que jamais tivemos e a mexida nas leis trabalhistas que exibiram a fragilidade do poder sindical, especialmente com o corte do imposto que o nutria e dele fazia o ferrão urticante da vespa.

É evidente que o poder nacional é mais forte que o regional. De tudo o que aí se espera nada tem a força da economia, bastando lembrar experiências anteriores como as do Plano Cruzado, o congelamento da poupança da Zélia e o Plano Real, esse até agora o mais durável e permanente dos nossos ciclos entre Itamar Franco e Fernando Henrique. Obviamente, de todos os ministros de Bolsonaro ninguém mais do que Paulo Guedes, o da Economia, é habilitado a proezas que ditarão as reformas, conquanto já tenha fixado para 2020 a baixa dos custos, hoje dificultadas pelas anomalias orçamentárias.

Ainda que prejudicado pelas deformações do nosso federalismo, no Paraná há todas as condições para surpreender e isso se dá sistematicamente à medida que vemos o nosso desempenho, como se dá agora em nível nacional, como fator de surpresa. E aí novamente o deslanche virá da economia, quando teremos noção de que respostas as parcerias público privadas darão ao manancial de expectativas até aqui criadas.

Um papel relevantíssimo é esperado do ministro da Justiça, Sérgio Moro, na sustentação da luta contra a impunidade e a corrupção e que marcará um dos estilos comportamentais do governo federal, e mais uma vez, como já aconteceu no passado com Munhoz da Rocha, Ney Braga, Ivo Arzua, Affonso Camargo, Amauri Silva, Karlos Rischbieter, Reinhold Stepahnes e tantos outros, pondo em destaque as figuras da terra.

Oligarquias

Destacando o fato inegável de não pertencer às famílias que dominam a política do Paraná, tema que já foi abordado no meio acadêmico por um possível peso da genealogia, Ratinho Junior fez referência às oligarquias, que foram muitas, no desenrolar da nossa história. Há no entanto casos claríssimos em que a densidade familiar não se traduziu em troca de prebendas e vantagens, como nos casos de Ney Braga, autor do mais durável ciclo de desenvolvimento econômico, que nomeou apenas um irmão, Guilherme Lacerda Braga, para a Fundepar, e o de Munhoz da Rocha, que designou seu filho, Caetano, funcionário do Banco do Brasil, para chefiar seu gabinete. Claro que essa secura nem sempre foi observada e o governo mais recente de Beto Richa era expressão forte de nepotismo, como se viu também com Roberto Requião, que por esse fato, num entrevero com o deputado estadual Tadeu Veneri no Guairão, levou uma vaia monumental na presença do bolivariano Hugo Chavez.

Na praia
No início da tarde de quarta-feira (2), no km sete da BR-277 em Paranaguá, um acidente com vítimas num choque entre um caminhão e quatro carros, embora o registro de baixa circulação, que esteve intensíssima na parte da manhã. A estrada foi interditada e mais tarde em parte liberada. Segundo dados da operação praias tivemos um milhão e setecentas mil pessoas entre Pontal do Paraná e Guaratuba na virada do ano. Muitos salvamentos de banhistas em casos de afogamentos e atenção a pessoas queimadas por águas vivas e agora também por espécime mais agressivo, a caravela portuguesa.
Primeiro o IPVA
Depois das festas, a dureza da cobrança do IPVA e seguida do IPTU e assim por diante na novela sem graça do contribuinte brasileiro. Um pouco mais tarde a declaração do Imposto de Renda e a vida segue.

E os pobres?
Nos discursos estranhou-se a não referência aos pobres, muito menos a questão do desemprego e subemprego que nos atormentam. Todos os que tomaram posse antes trataram do tema obrigatório, Lula numa síntese mais abrangente - a da fome. O que não significou que a miséria e a pobreza acabassem, razão pela qual a expectativa é de que haja maior atenção ao problema, ainda que com menos discurso.

Previdência
Michel Temer ameaçou botar em jogo a reforma previdenciária, bateu na trave como lá atrás Fernando Henrique Cardoso perdeu a luta na 25ª hora, Reinhold Stephanes no comando a sofrer com a perda por um voto. Anuncia-se que Paulo Guedes tem pronta Medida Provisória que revê regras da previdência e com economia de R$ 50 bilhões. Maior rigor na liberação de benefícios rurais está entre as medidas a serem adotadas.

Folclore
Na política do Paraná o predomínio acadêmico é um fato: os senadores eleitos são da Academia Paranaense de Letras, como também o vice-governador e o prefeito da capital, Rafael Greca, ora em recuperação no hospital.

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