A primeira pesquisa Quaest divulgada após o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV mantém o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança no primeiro turno da corrida pela Presidência, mas indica uma disputa acirrada em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento, publicado nesta quarta-feira (2), também captou um crescimento expressivo de Augusto Cury (Avante), que aparece em terceiro lugar.

No primeiro turno, Lula oscilou de 38% para 37% e Flávio, de 31% para 30%, movimentos dentro da margem de erro. A principal mudança ocorreu com Cury, que saiu de 2% para 10%. Esse é o cenário testado pela Quaest que inclui Pablo Marçal (PRTB). Renan Santos (Missão), com 3%, e Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Marçal, com 1% cada, completam o quadro. Os que dizem votar em branco, nulo ou não votar representam 7%, enquanto os indecisos somam 10%.

No cenário sem Pablo Marçal, Lula continua com 37%, Flávio Bolsonaro cai para 29% e Augusto Cury mantém os 10%.

No segundo turno, Lula aparece com 42% e Flávio com 41%, configurando empate técnico. Na pesquisa anterior, eram 43% a 40%. A rejeição também está próxima: 55% dizem conhecer Flávio e não votariam nele, enquanto 53% afirmam o mesmo sobre Lula.

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Para o analista político e professor de Ética e Filosofia Política da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Elve Cenci, a nova rodada da Quaest sugere poucas mudanças para Lula e Flávio Bolsonaro, sobretudo por se tratarem de oscilações dentro da margem de erro. A principal novidade é o crescimento de Augusto Cury.

“Cury, apesar de demonstrar falta de preparação e de consistência nas propostas apresentadas, conseguiu a atenção daqueles eleitores que querem alguém de fora da política. Ele é médico, sabe comunicar-se bem e tem um discurso próximo da autoajuda, o que faz a diferença para esse eleitorado”, avalia Cenci.

Para o analista, o candidato do Avante tem um “tom mais conciliador”, que contrasta com o “tom belicoso” dos demais candidatos, “especialmente os da oposição a Lula, que repetiram ataques ao atual presidente”.

“Para muitos eleitores, a forma como os candidatos tratam os oponentes e se apresentam faz a diferença. Note-se que Renan Santos, também uma novidade na disputa, adota uma conduta diferente, ao atacar com virulência os dois candidatos com maior popularidade nas sondagens”, acrescenta.

Sobre o empate técnico no segundo turno entre Lula e Flávio, Cenci avalia que o impacto do caso envolvendo o Banco Master e o filme Dark Horse sobre a candidatura do PL em grande parte se dissipou. “O que não significa que novos capítulos não possam reavivar o caso novamente.”

REJEIÇÃO

O cientista político Mário Sérgio Lepre, da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), avalia que o resultado da Quaest é ruim para Lula, que viu sua intenção de voto oscilar para baixo e a rejeição aumentar em relação à rodada anterior.

“A rejeição ao Lula estava em 50%, depois passou para 52% e agora chegou a 53%. Ou seja, está aumentando. Já a rejeição ao Flávio Bolsonaro veio diminuindo, chegou em 57% e está em 55%. A do Lula é o contrário, saiu de 50% e foi para 53%. Quando você tem uma sequência de dados assim, é a tendência que mostra”, afirma.

Sobre o desempenho de Augusto Cury, Lepre avalia que o movimento ainda é “residual”. “O que é interessante é que, quanto mais se conhece ele, mais aumenta a rejeição.”

O cientista político também projeta uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, hoje os dois candidatos com maior potencial para chegar ao segundo turno. Para ele, a definição da eleição pode depender de acontecimentos das próximas semanas, como os desdobramentos do caso Banco Master, capazes de impactar mais uma campanha do que outra.

Lepre avalia que a revelação das conversas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes pode ser mais prejudicial para o petista. “Se você vota no Lula, você vota, de uma certa forma, em Alexandre de Moraes. Residualmente, o eleitor acaba fazendo esse tipo de raciocínio.”

CRESCIMENTO

O professor de Ciência Política da UEL Ronaldo Gaspar afirma que, nas entrevistas do Jornal Nacional na semana passada, Lula e Flávio Bolsonaro ficaram “emparedados” em perguntas sobre corrupção e falaram pouco sobre suas propostas de governo.

“Como os outros candidatos repetem, em maior ou menor medida, o discurso bolsonarista, parte desses indecisos parece ter sido impactada pelas propostas confusas e controversas e pelo discurso conciliatório de Augusto Cury. Numa eleição cheia de políticos da velha guarda, Cury concorre na condição de novato na política”, pontua Gaspar.

Para o professor, dependendo dos impactos dos novos desdobramentos do escândalo do Banco Master, e diante do pouco tempo de propaganda no rádio e na TV e da ausência de bases consolidadas, “essa candidatura pode retornar ao seu lugar de origem – a saber, junto com os outros candidatos de pouca expressão eleitoral”.

“Não vejo na candidatura de Augusto Cury uma ameaça à candidatura Lula e, apesar da maior proximidade política com o campo da direita, nem à candidatura de Flávio Bolsonaro. Excetuando algum cataclisma, é entre esses dois que será definida a disputa eleitoral”, conclui.

DADOS DA PESQUISA

A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores em todo o país entre domingo (30) e terça-feira (1º). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, o levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-07065/2026.

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