Apesar da intensa movimentação de pré-candidatos à Presidência da República em 2002, o quadro sucessório permanece indefinido, com espaço para novos nomes na disputa. O diagnóstico é do diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra. Faltando pouco mais de 13 meses para as eleições, as pesquisas de intenção de voto mostram que as candidaturas de oposição têm o apoio de cerca de 70% do eleitorado. Mas, se o desejo de mudança é evidente, falta ainda definir o rumo, avalia. ''Não está muito claro para a maioria das pessoas que outras opções elas têm'', afirma Coimbra, referindo-se a alternativas à agenda do governo Fernando Henrique Cardoso.

A decepção provocada com a passagem do ex-presidente Fernando Collor de Mello pelo Palácio do Planalto reduz o espaço para nomes pouco tradicionais. O problema é que, numa eleição competitiva como promete ser a do ano que vem, é possível que um dos candidatos chegue ao segundo turno com menos de 20% dos votos, aponta o diretor do Vox Populi. E isso poderia abrir caminho para um fenômeno Collor em escala reduzida.

A opção do eleitor no momento de votar envolve um número sem fim de questões objetivas e subjetivas. Mas conta muito, segundo Coimbra, a avaliação do governo a ser substituído. Assim, quem estiver insatisfeito vai escolher o candidato que melhor represente uma solução aos problemas do antecessor.

Para as eleições de 2002, fica a questão: que tipo de contraponto a FHC será explorado por candidatos de oposição? ''A crítica que uma parte grande da opinião pública faz é que o presidente se trata de um político muito mais racional do que emocional'', observa. ''Isso pode ser injusto, mas é essa a imagem que se formou sobre ele: um homem que prefere a viagem internacional à convivência com o povo.''

Essa percepção, segundo o diretor do Vox Populi, deverá favorecer o crescimento de candidaturas de maior apelo popular. O principal beneficiado seria o governador do Rio, Anthony Garotinho.

Enquanto os pré-candidatos de oposição lideram as pesquisas eleitorais, na base do governo não faltam pretendentes à sucessão de Fernando Henrique. Ministros, governadores e parlamentares sonham com a indicação e jogam pesado nos bastidores. Para Coimbra, no entanto, ocupar cargo na atual administração diminui as chances de vitória.

Com 34% de intenções de voto na sondagem do instituto Sensus, no mês passado, o virtual candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, caminha com segurança para disputar o segundo turno. Coimbra aponta o ''amadurecimento pessoal'' dele e o crescimento do partido na última década. Mas considera a falta de experiência administrativa de Lula como sua maior fraqueza.

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