A cotação de José Sarney (PMDB-AP) para a assumir a presidência do Senado (e do Congresso), com a anunciada renúncia de Jader Barbalho, está em alta. Sarney é simpático também junto à população: segundo pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, em maio, com 2 mil entrevistados, Sarney é o que está em melhor condição considerando os quatro últimos presidentes da República inclusive Fernando Henrique. O peedebista, segundo a pesquisa, tem o apreço de quase um terço da população brasileira, ou 31%, contra 25% para FHC, 18% para Itamar Franco e 4% para Collor.

O resultado pode aprecer um contra-senso para um presidente que deixou o País com economia instável, salários achatados, inflação estratosférica? ''As pessoas fazem justiça ao que Sarney representou para o Brasil. Fez a transição política entre o regime militar e a primeira eleição direta, em 1989, e seu nome sempre aparece associado a programas sociais, como o do leite e o do vale-transporte'', interpreta o cientista político João Francisco Meira, diretor do Vox Populi.

Além disso, o tempo atenua as angústias e decanta na memória o que ficou de melhor, diz Meira. ''Passados 13 anos, a análise tende a ser mais serena.'' Mas o que importa para Sarney é o julgamento que o brasileiro faz hoje de seu governo. E não o que fez no passado. Essa é a revisão histórica que estimula, por exemplo, Fernando Henrique.

No entanto, Sarney resiste à idéia de assumir, pela segunda vez, a presidência do Senado. Mas ele resiste. Tem fortes razões. Além das pessoais como investir na carreira de escritor há duas motivações políticas. A primeira, é a eventual candidatura de sua filha Roseana, governadora do Maranhão pelo PFL, à Presidência. A segunda razão está na onda de denúncias que vem tirando o sono de muitos políticos. O ex-presidente não quer seu nome associado a Jader.

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