Quadrilha cobrava parte de salário de comissionados, diz Gaeco
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP) do Paraná, desvendou nesta semana a ação de uma quadrilha que cobraria um percentual dos salários pagos aos servidores comissionados lotados na Prefeitura de Campo Mourão (Centro-Oeste), hoje comandada por Regina Dubay (PR). Segundo o delegado Elmano Ciriaco, o esquema "envolvia funcionários do alto escalão de várias secretarias". Ainda não há uma estimativa de quantas pessoas participaram das extorsões, nem de quanto foi efetivamente desviado. O Gaeco também não informou desde quando a quadrilha agiria.
"A notícia que chegou ao Gaeco era de que eles (comissionados) eram coagidos a entregar parte dos vencimentos e que, caso contrário, poderiam perder o emprego", contou o delegado. Ciriaco explicou que desde o ano passado investigava a consistência das acusações, mas que a comprovação só se deu na última quarta-feira.
"Chegamos à conclusão de que ontem (anteontem) haveria grande parte do repasse, porque o salário dos servidores foi pago no dia 30. Organizamos estrategicamente uma diligência e verificamos que ocorreu um pagamento ao diretor da Secretaria da Saúde. Ele, por sua vez, entregaria a quantia a uma terceira pessoa, que seria o mentor disso tudo."
O diretor em questão é Anselmo Junior Camargo, preso em flagrante no momento em que recebia parte do dinheiro. No gabinete do servidor, os policiais encontraram R$ 600,50. "Temos os nomes de outros envolvidos, mas por cautela estão sendo mantidos em sigilo", completou o delegado. Camargo responderá aos crimes de concussão (quando o servidor público se aproveita da função que ocupa para exigir dinheiro para si ou para outrem) e formação de quadrilha.
Levantamento da Câmara de Vereadores aponta que os gastos com pagamento de comissionados no município giram em torno de R$ 680 mil mensais. Com percentual de devolução estimado em 5%, a arrecadação anual do esquema seria de, em média, R$ 408 mil. O Gaeco, contudo, não confirma os números, garantindo apenas que está intensificando os trabalhos para buscar provas que comprovem toda a extensão do esquema.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Campo Mourão informou, por meio de nota, que ainda não teve acesso ao processo investigatório, estando assim sem os fundamentos necessários para se posicionar sobre o assunto. "Em todas as instâncias, o município está pronto a colaborar com a investigação, da forma que for necessário, para que seja encontrada a verdade dos fatos. Comprovadas as irregularidades denunciadas, serão tomadas as medidas para restabelecimento da ordem prevista", diz trecho do documento.


