Quadrilha clonava telefones
Quadrilha clonava telefones
A quadrilha do traficante Fernandinho Beira-Mar, utiliza a clonagem de telefones celulares para poder viabilizar a comunicação entre eles e para dificultar o trabalho dos policiais. Uma ligação telefônica grampeada entre Beira-Mar e um de seus braços direitos, Jaime Amato Filho, evidencia que eles clonaram uma série de telefones em Curitiba, onde Amato mora há três anos. Os números foram checados durante três dias pela Folha, mas a maioria se encontra temporariamente desligado. Em apenas um dos casos, o número discado está ativado.
Na lista, aparecem os seguintes números de Curitiba: 983-1019, 982-1427, 982-4727, 965-5280 e 964-2639. Há ainda outros dois telefones com prefixos de São Paulo 965-2639 e 9964-9104 um de Belo Horizonte 994-2718 . Estes números foram relacionados por Amato durante a conversa telefônica com Beira-Mar. Amato pede à telefonista que faça uma ligação para a cidade paraguaia de Capitão Bado e quem atende falando em castelhano é uma moça chamada Carolina, que passa o telefone ao traficante.
Na conversa entre os dois, Beira-Mar tentava descobrir um número telefônico que apareceu, na época (entre janeiro e novembro deste ano), em sua escuta telefônica. Ele desconfiava que estava sendo perseguido pela polícia. Amato relacionou todos os telefones que a quadrilha estava usando naquela época.
Beira-Mar ia perguntando número por número e Amato respondia: Esse número aí é seu mesmo. Não se lembra?, ou então Esse outro eu tava usando. Em outra situação disse: Esse número não é mais nosso. Tá desligado. Beira-Mar pediu para que Amato checasse todos os demais telefones para tentar descobrir quem poderia ter telefonado para ele.
Para clonar os telefones, a quadrilha utilizava o serviço de Alessandro Santos, ou Sandro. Em uma das conversas telefônicas grampeadas, Amato e Sandro combinam a clonagem de mais uma série de números. Sandro pede que Amato envie para ele os dez aparelhos que têm em casa para que o serviço pudesse ser feito. Se você tiver um monte de aparelho aí que não usa, mande para mim bota clone, disse Sandro. Ele comentou ainda que o serviço ficaria pronto rapidamente.
Os telefones clonados ficam com a quadrilha por 15 ou 20 dias e são dispensados e trocados por outros números. Desta maneira, eles dificultam o trabalho de investigação e o verdadeiro dono do telefone, quando descobre o clone, já é tarde. Os traficantes conseguiam clonar por R$ 150.
A Folha checou os telefones clonados e, em apenas um caso, a ligação foi atendida. O rapaz informou que comprou o telefone há uma semana e não tinha conhecimento de clone algum. Eu comprei o telefone de um taxista. Ele está com quatro prestações atrasadas na Telepar, disse o também taxista Anderson, cujo sobrenome não foi revelado.
Além dos telefones celulares, a quadrilha de Beira-Mar utiliza telefone via satélite para se comunicar em locais onde ainda não há telefone convencional e celular. O telefone móvel marítimo (via satélite) 761695285 apareceu numa das contas telefônicas de um celular grampeado. A Folha não conseguiu contato através deste número. (C.M.)





