O presidente da Câmara Municipal de Londrina, Sidney de Souza (PTB), o corregedor, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), o líder do Executivo na Casa, Gláudio Renato de Lima (PT), e Jamil Janene (PMDB) foram denunciados ontem por concussão, corrupção e formação de quadrilha no aditamento de denúncia ofertada em janeiro passado contra os vereadores Osvaldo Bergamin (sem partido), Renato Araújo (PP), Flávio Vedoato (PSC), Henrique Barros (sem partido) e Orlando Bonilha (PR). A medida protocolada ontem ao juiz substituto da 3ª Vara Criminal, Marcos José Vieira, é assinada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que aguardou o novo interrogatório de Bonilha, realizado de manhã, no qual ele confirmou haver uma quadrilha composta por pelo menos 12 nomes no Legislativo londrinense – e que agia ‘‘no mínimo desde o início da atual Legislatura’’, segundo o coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves.
  A ação criminal em que foi pedido aditamento da denúncia foi gerada pela prisão em flagrante de Barros, em 10 de janeiro, de posse de R$ 9,9 mil que admitiu depois, em depoimento à Polícia Civil, ser fruto de propina. Na primeira audiência judicial, os cinco réus negaram participação na cobrança ilícita pela aprovação de três projetos de lei – que beneficiaram os empresários Carlos Messas, Alexandre Guimarães e Maurício de Biagi. Ontem, em depoimento, Bonilha negou participação nesse caso mas sustentou o que dissera em depoimento ao MP, semana passada: a suposta organização criminosa teria 12 membros do plenário, associados entre si, em esquemas de achaque e cobrança de propina para que projetos de lei fossem votados ou não sofressem retaliações na Casa.
  Conforme o Gaeco, foi a partir dessa confirmação de Bonilha que a Promotoria pediu a suspensão da oitiva de sete testemunhas de acusação, ontem de manhã, a fim de que os demais nomes fossem citados na denúncia.
  ‘‘O contexto geral indica a existência de uma quadrilha – porque até o presente momento foram reunidos indícios referentes a estas pessoas. Porém, não está excluída a possibilidade de outras pessoas serem denunciadas pelo mesmo fato; por ora, cabia este aditamento’’, explicou Esteves. ‘‘Podem surgir novos elementos contra outras pessoas – se surgirem, haverá denúncia.’’
  Questionado se as declarações dee Bonilha, que diz não ter participado do caso Barros, podem afetar uma possível recepção da denúncia pelo Judiciário, Esteves resumiu: ‘‘Ainda que ele tenha se eximido desse envolvimento, deixou claro que um vereador sempre era encarregado de tratar com a vítima e ‘rachar’ com os demais’’. Pelas investigações do Gaeco e mesmo pelos depoimentos de Bonilha, entretanto, a suposta divisão da verba obtida da propina arrecadada não seria repartida entre os membros do bando, ou entre outros vereadores, de forma eqüânime. ‘‘Em função do acerto, determinado vereador faria contato inicial para cobrar a vítima’’, disse o promotor Jorge Barreto. ‘‘Mas tinha uma escala de valoração nos valores que cada parlamentar recebia, em razão da própria organização deles’’, complementou Renato Castro, que também assina o aditamento.
  Os vereadores citados informaram, pela assessoria de imprensa da Câmara, que não se pronunciariam sobre o caso.

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