Quadrigêmeos serão mesários em Curitiba
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sábado, 30 de setembro de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na Capital, os eleitores que votam no Colégio Estadual Pinheiro do Paraná, no tradicional bairro italiano de Santa Felicidade, podem ter a impressão de que os mesários estão se multiplicando. É que naquele local, quatro irmãos, quadrigêmeos, pela primeira vez trabalham em uma eleição. Quem pensa que o quarteto ficou indignado com a convocação involuntária, engana-se. Os quatro até estão gostando da cara de surpresa das pessoas quando sabem que os irmãos foram chamados a trabalhar neste domingo.
Do outro lado de Curitiba, na Vila Oficinas, o aposentado Francisco Conceição e Silva, de 79 anos, também está satisfeito com o trabalho que vai exercer hoje. Mesário nas eleições presidenciais de 1950, que elegeu Getúlio Vargas, e em 1954, que colocou Juscelino Kubitschek no poder, este ano ele procurou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná e se ofereceu para novamente trabalhar no dia da eleição. Foi aceito, e hoje ele passa o dia como fiscal de prédio.
''Eu voto desde 1945'', conta Francisco, lembrando que a eleição de Juscelino foi a mais difícl de trabalhar. ''Foi braba. Havia muita insegurança porque havia uma pressão muito grande dos adversários políticos'', conta ele, que naquele tempo morava em Campo Mourão e teve que chamar o presidente da Comarca e o Exército para garantir a realização da eleição.
Afastado desde então, ele diz que este ano sentiu vontade de ''cooperar'' com a Justiça Eleitoral. ''Não tenho obrigação de votar, mas não quero entrar nessa das pessoas que estão desiludidas. A gente fica um pouco desanimada com os acontecimentos políticos. Quem tem experiência sabe que tem que continuar lutando, mas os mais jovens ficam sem o interesse cívico de votar'', completa, garantindo que ele e a mulher, que também tem 79 anos, vão votar.
Os irmãos Salles estão na outra ponta da experiência. Essa eleição marcará o primeiro voto dos quadrigêmeos Elyzandro Renan, Everton Jean, Paulo Roberto e Karyna Eloize, de 20 anos. Eles só participaram, até agora, do referendo sobre o desarmamento, mas apenas como eleitores. ''Todo mundo ficou surpreso porque os quatro foram chamados. Como é a primeira vez, nós não conhecíamos nada, mas gostamos da idéia'', diz Elyzandro.
Ele conta que os quatro participaram do treinamento do TRE, receberam informações sobre o pleito, sobre os problemas que podem surgir, como se comportar, como atender o público. Os três rapazes trabalharão como presidente de mesa e a garota como 1 mesária. ''Depois que você é chamado para trabalhar, começa a ver a eleição mais de perto'', diz Elyzandro, que acredita que a eleição deste ano está difícil. ''Para a presidência, há falta de opção, a gente acaba escolhendo o melhorzinho. Para governador, está razoável. Têm pessoas que têm se empenhado para fazer alguma coisa'', avalia.


