PV tem mais condições de governar por ser o mais livre
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Filho de professores da rede pública - o pai foi o primeiro reitor eleito da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a mãe professora durante 60 anos - Paulo Salamuni optou pela carreira de Direito, mas diz que a educação é uma prioridade em sua vida. Cinco vezes vereador em Curitiba e presidente da União dos Escoteiros do Brasil, o candidato ao Governo do Estado pelo Partido Verde (PV) defende a inteligência policial para combater a violência e a criação de clínicas específicas para atendimento à mulher e às crianças. Ele conversou com a FOLHA sobre suas propostas caso seja eleito.
Levantamento realizado pela FOLHA mostrou que apenas 25% dos municípios têm ambulância equipada e 29% não possuem nenhum hospital. Qual é a prioridade de sua candidatura na área da saúde?
O governo do Partido Verde vai chamar para si a responsabilidade de ampliar a presença da rede estadual no tratamento de enfermidades de média e alta complexidade. A nossa ideia é ampliar o número de leitos e racionalizar o uso dos hospitais. Fazer uma rede de hospitais por regiões do Estado e aprimorar a rede hospitalar, dotando os hospitais de vocações específicas que permitam o atendimento. A gente entende que a saúde não é um privilégio. A saúde é um direito inalienável de todos. O PV propugna por clínicas de saúde da mulher, da criança, que receberão módulos adjacentes onde idosos e o restante da população serão atendidos com toda essa especificidade. Teremos os consórcios intermunicipais de saúde: o governo do Estado articula os municípios para que todos possam ser atendidos por todos. Sob uma organização do poder público estadual.
Pelo levantamento da FOLHA, 51% dos municípios não têm a presença permanente da Polícia Civil. E, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), o índice de homicídios cresceu 18% no Paraná entre 2007 e 2009. Como resolver a questão da violência?
Um dos lemas principais do PV é ''cuidar da vida é da nossa natureza''. Um item do nosso programa é que uma eficaz política de segurança precisa ter prioridades. A reorganização da força policial com a priorização dos grupos de inteligência e tecnológicos para o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. O que não queremos é ter uma falsa sensação de segurança. Queremos nos antecipar à questão da marginalidade pelo aspecto social, de direitos humanos, de saúde, pela cultura de paz. Mas queremos nos antecipar com tecnologia. É óbvio que eu sou a favor que se tenha policiamento ostensivo na rua. Mas o que adianta? A escalada de violência no Brasil, e o Paraná não foge disso. O outro item é a melhoria das condições de trabalho para os policiais. Ninguém vai fazer milagre. Hoje você ser administrador público é uma espécie de síndico de massa falida. Você não sabe onde apaga o primeiro incêndio. O cobertor é curto. Mas para isso é que precisa ter serenidade.
As dez escolas paranaenses com as piores médias no Enem eram estaduais. No seu programa, a escola integral seria uma opção e a educação está como prioridade orçamentária. Como fazer isso?
Eu sou um amante do ensino público, gratuito e competente. Eu não jogo toda a responsabilidade na escola. Sabemos que a escola ensina cada vez mais, mas educa cada vez menos. Resolve isso com uma frase que eu aprendi com alguém que foi muito próximo a mim, o reverendo presbiteriano Elias Abraão: ''Resgatar a alegria de aprender e o prazer de ensinar''. Que as crianças queiram ir para a escola no dia seguinte porque vão encontrar a escola bonita, pintada. A escola onde ele tenha uma boa alimentação, os amigos e a turma, o time de futebol e se sinta bem. Essa é a alegria de aprender. E o prazer de ensinar é os professores e servidores da rede estadual com prazer do emprego que têm e a responsabilidade por serem formadores da personalidade e até parte do caráter dos cidadãos. O PV tem uma proposta específica na área da educação: a cada ano, 10% das escolas seriam integralizadas. Ao passo de dez anos estaríamos com quase todas as escolas em tempo integral e não necessariamente a escola formal em tempo integral, mas a educação em tempo integral. E isso, como ultrapassa a barreira de um governo, vai precisar de um projeto de lei que passe pela Assembleia.
Em relação à moradia, o deficit hoje estaria em mais 260 mil casas. O programa do PV fala sobre consórcio intermunicipal e o Poupatempo da Educação. Como funcionariam esses programas?
É preciso organizar o Estado, priorizar. Com consórcios habitacionais intermunicipais, iniciativa público-privada e a Cohapar, que precisa ser reestruturada - mudar o regime jurídico para receber recursos de gestão associada -, os municípios contemplados com recursos para ampliação da oferta habitacional serão aqueles que apresentem os planos diretores específicos para tal. Criaremos o Poupatempo: um empreendimento permanente em local de fácil acesso à população que concentra todas as atividades relacionadas à habitação, especialmente de interesse social. O objetivo do Poupatempo é desburocratizar e agilizar procedimentos e aproximar a demanda da oferta habitacional. Uma linha reta de crédito sem burocracia.
Qual é a principal bandeira da sua candidatura?
Temos que olhar diferente para a participação do Partido Verde neste pleito de 2010. Tanto em nível estadual como federal. O PV ofereceu uma alternativa e a democracia implica em heterogeneidade, em diferenças, e não todo mundo se juntar de um lado e todo mundo se juntar de outro. Nós temos o privilégio de ter uma candidata do porte da senadora Marina Silva, hoje nos nossos quadros. Estou nesse partido pela causa, a questão da ecologia política e por causa da Marina Silva. O PV foi o único partido que pediu a cassação do presidente e do secretário da Assembleia Legislativa, responsabilizando-os pela corrupção. Foram desviados mais de R$ 100 milhões e ninguém é responsabilizado por isso. Se não se discute isso agora, nesse momento eminentemente político, vamos discutir isso quando?
Como o sr. pensa a governabilidade do seu mandato em relação à Assembleia Legislativa e à bancada federal?
Sem problemas. Vamos imaginar que o PV eleja uma bancada pequena, temos o pé no chão. O PV é o partido que mais tem condições de governar porque é o mais livre. Governaríamos a partir dos verdes, sem coligações, com toda a sociedade civil do Estado, com toda a massa pensante, com o que há de melhor dos trabalhadores, dos patrões, das organizações não governamentais. Estamos livres, faremos o melhor governo. Eles não podem governar assim. Eles têm que governar para os partidos com quem fizeram acordo.`
FICHA DO CANDIDATO
Nome de urna: Paulo Salamuni
Partido/coligação: Partido Verde (PV)
Nome completo: Paulo Salamuni
Data de nascimento: 24/10/1960
Local de nascimento: Curitiba
Estado civil: solteiro
Filhos: não tem
Formação: advogado
Cargos públicos que ocupou: vereador de Curitiba por 5 mandatos consecutivos (1991-2008)
Outros cargos que queira destacar: procurador do município de Curitiba (concurso), secretário municipal de Desenvolvimento Social (1986-1988), diretor de Terras do Instituto de Terras, Cartografia e Florestas do Paraná (1990-1991), presidente da Associação dos Procuradores Municipais de
Curitiba (2009-2011).
Já pertenceu a quais partidos: PMDB e PV
Candidato a vice-governador: Flávia Romagnoli (PV)
Patrimônio total: R$ 566 mil
Estimativa de gasto máximo com campanha eleitoral: R$ 743 mil


