PV pode fazer aliança com o PFL nas eleições
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domingo, 14 de dezembro de 1997
Agência Estado Rio 
Arquivo FolhaEsquerda modernaDeputado Fernando Gabeira: política com força transversalO Partido Verde (PV), que busca se distanciar do ranço da esquerda tradicional, está namorando a candidatura à Presidência da República do ex-tucano Ciro Gomes (filiado ao PPS). No plano das eleições nos Estados, tendo como panorama a sucessão do governador do Rio, Marcello Alencar (PSDB), os verdes não descartam a possibilidade de aliança com PFL para a sucessão do governador Marcello Alencar (PSDB).
O PV, que no passado caminhou lado a lado do PT, está cada vez mais longe da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva e busca um presidenciável que incorpore uma política arejada e ao mesmo tempo próximo às mudanças sociais para as eleições de 1998. Queremos alguém que tenha um pouco de Tony Blair e Lionel Jospin, disse o presidente nacional da legenda, Alfredo Sirkis. Para ele, guardadas as devidas proporções, Ciro Gomes pode ser comparado à Blair, primeiro-ministro da Inglaterra, e à Jospin, primeiro-ministro francês. Segundo Sirkis, o dissidente do PSDB é o único candidato que não divide o partido.
O PV tem 30 mil filiados, mas conta com 1 mil militantes em todo o País e com apenas um parlamentar no Congresso, o deputado Fernando Gabeira (RJ), tenta crescer ganhando espaço no vácuo deixado pelo PT e pela direita: a esquerda moderna, segundo difinição de seus próprios integrantes. Adotamos uma política que tem uma força transversal, porque achamos que, em certos momentos, a direita tem razão, declarou Gabeira, que votou a favor da quebra do monopólio das telecomunicações e da reeleição na Câmara.
Para ele, a reforma econômica que tramita no Congresso precisa vir pela direita, com negociações com os tradicionais partidos governistas, e as mudanças sociais, incluindo a reforma da Previdência, precisa ser negociada com as legendas de esquerda. Com este discurso, o PV, que foi fundado em 1986 e tem a marca da luta ambientalista, quer ampliar sua representação na Câmara para quatro deputados e eleger um governante com experiência administrativa sem o perfil de centro-direita de Fernando Henrique.


