Curitiba - O Partido Verde (PV), que tem cerca de 12 mil filiados no Paraná, anunciou ontem, oficialmente, o apoio à candidatura à reeleição de Roberto Requião (PMDB). O candidato ao governo no primeiro turno, Melo Viana -que consegiu 30.500 votos- admitiu que o apoio não foi uma decisão unânime de todos os membros do partido, mas destacou que foi unanimidade entre o conselho do PV. A bancada de vereadores do partido em Curitiba -três parlamentares- discorda da aliança com o PMDB, alegando que uma parte do PV prefere Osmar Dias (PDT).
Um dos descontentes é o vereador Paulo Salamuni, que está na Nicarágua, segundo a assessoria de Osmar Dias. Salamuni saiu do PMDB descontente com o partido. Os vereadores devem se reunir na próxima semana para avaliar o que podem fazer em relação a Viana e a postura do partido. Viana, por sua vez, sabe da postura dos vereadores. Disse que eles não teriam tempo suficiente de vivência do partido e adiantou que vai conversar com eles. E não descartou tomar as medidas que julgar necessárias em relação ao caso.
Para justificar o apoio a Requião, Viana lembrou que já apoiou o peemedebista em campanhas passadas. Em 2002, ajudou Requião a se eleger no segundo turno, contra Alvaro Dias (PSDB). Os motivos do respaldo à candidatura do PMDB são, nas palavras de Viana, a defesa da coisa pública, do meio ambiente e a coerência em relação aos apoios anteriores. Viana lembrou que o Paraná já ''perdeu'' a Telepar e o Banestado, que foram privatizados.
Ainda abordando as privatizações que faziam parte da cartilha neoliberal seguida pelo ex-governador Jaime Lerner (PSB), Requião disse que nesta eleição está novamente enfrentando Lerner e seu grupo político. ''Esse pessoal se reuniu atrás de um biombo barbudo, que nós vamos enfrentar agora'', provocou.
Questionado sobre o fato de ter ex-aliados de Lerner entre seus aliados atuais, como o secretário Reinhold Stephanes e os deputados estaduais Rafael Greca e Nelson Justus, Requião se defendeu dizendo que Justus é seu amigo e que Stephanes discordou em questões da venda do Banestado.
Requião ponderou ainda que os números divulgados pelo Ministério da Justiça sobre a criminalidade no Estado tiveram peso na definição de um segundo turno no Estado.
Sobre seu apoio a presidente, o candidato peemedebista disse que ainda não há definição. No entanto, nomes importantes do PMDB, entre eles o vice-governador Orlando Pessuti, tem avançado nas conversas com o PT e podem anunciar apoio a Lula na segunda-feira.

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