A segunda manifestação londrinense pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em Londrina teve adesão bem menor ontem, em consonância com o que houve no restante do Brasil. Comparados aos 45 mil registrados pela Polícia Militar em março, apenas 5 mil foram às ruas, em passeata que seguiu do Colégio Estadual Vicente Rijo até o aterro do Lago Igapó 2. Para os organizadores, a "concorrência" da ExpoLondrina e do jogo do LEC minaram a presença dos manifestantes.
Para João Victor Nery e Douglas Roberto Soares Silva, dois dos organizadores de um grupo de cerca de 50 pessoas, os dois eventos acabam atraindo a atenção dos londrinenses. "Estamos satisfeitos (com o público) porque temos hoje a Expô, que é esperada o ano todo pelos londrinenses, e o torcedor também sonhava com o jogo do LEC", diz Nery.
Para Silva, adesão menor também se deu porque o brasileiro é imediatista e esperava alguma mudança já após a primeira manifestação. Ele avalia que falta conscientização política aos brasileiros. "Eu entendo totalmente que as pessoas podem ir num domingo ao estádio ou à exposição, mas acho que precisamos focar nas prioridades,", afirmou antes do início da marcha.
De panela e baqueta de bateria em punhos, Adriano Torres lamenta o esfriamento dos ânimos dos manifestantes. "Os caminhoneiros diziam que parariam dia 30 de março, mas não fizeram. Disseram que hoje paralisariam, mas não vi isso em lugar nenhum. Houve uma desmobilização, mas o brasileiro não tem essa cultura política", lamenta.
Nas ruas, o colorido repetiu o verde e amarelo da marcha anterior, assim como apitos e cornetas e os cartazes pedindo "Fora Dilma", "Fora PT" e mais rigor contra a corrupção, além de alusões a intervenção militar. De cima de um carro de som os organizadores gritavam palavras de ordem como "Fora Dilma" e "O vermelho jamais será nossa bandeira".
Porém, já no aterro do Igapó, Nery deu aviso de que as manifestações vão além do que ocorre apenas em Brasília e citou o caso do Paraná, onde há suspeitas de corrupção e de exploração sexual de menores envolvendo fiscais da receita estadual e de irregularidades na contratação de oficinas mecânicas para veículos oficiais. "Queremos que o senhor Beto Richa (PSDB) dê explicações e, se houver corrupção, fora governador."
O discurso vai ao encontro do que pensa Edmo Medeiros. Com um cartaz dizendo que "O Brasil precisa é de justiça", ele afirma ter aderido ao movimento porque "o PT facilitou o trâmite da corrupção, mas a responsabilidade não é só do partido". O manifestante acredita que o corrupto é um criminoso pior do que o traficante. "Ele (corrupto) rouba o dinheiro dos pobres, que deveria custear saúde e educação", pontua.
Também presente ao protesto, Regina Montanaro diz que foi às ruas para pedir "que acabe a corrupção e o dinheiro dos impostos seja revertido para o povo, independentemente do partido".

Custos

Na marcha passada, os organizadores esperavam cerca de 18 mil pessoas, número superado consideravelmente. Com base nisso, a estrutura para a segunda manifestação aumentou, com a contratação de um segundo trio elétrico e com apoio de uma picape com som, além de transmissão por meio de um radiotransmissor.
Os custos foram bancados, segundo eles, com doações e vendas de adesivos nas ruas e todos os R$ 3.615 foram usados para cobrir os gastos, de acordo com planilha enviada por e-mail.

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